terça-feira, 29 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
De Lisboa a Famalicão: O baptismo do Perdedor da Distância Incerta ao Ponto Certo
S
Antes de me levantar vejo a Francisca ( a gata) encostada a almofada que desfilava no lugar onde dormia e eu nem tomei conta da sua presença, dei um abraço na gata a boa maneira que a Maria me ensinara, ela continua a olhar-me com desconfiança, deixo-a e levanto-me em direcção ao relógio pergunto-o as horas e ele respondeu-me:
- São seis da manhã
Levantei-me a passos de camaleão, iniciei a minha digressão pelas coisas que me pertencem, preparei a mala, os livros nas devidas sacolas e os documentos nos seus concretos espaços de repente apercebi-me que tinha o bilhete do voo em falta. Acordo a Maria que de forma leve e tardia liberta-se da cama pois o sono já tomava conta do seu mar alentejano, eu convidei-a a mergulhar no mar da minha inquietação.
Amosse tenta lembrar-se onde deixou o bilhete enquanto procuramos nos livros- retorquiu a Maria
A mesma altura eu regava com lágrimas de dor a cheirarem-me o exílio pelos tantos cantos daquela casa. E ela disse:
-será que não esqueceste na pensão onde dormiste no primeiro dia?
As palavras me fugiam como um navio de pesca em plena castração no mar, o coração batia forte e melancólico como as águas turvas de um tsunami. O silêncio não me largava, o relógio corria a uma velocidade cósmica tipo um gato em brasas, 9 horas diz ele a rir-se de mim, olho-o com uma voz nostálgica pego no celular penso em ligar para Maputo a Maria intersecta-me diz:
-Não precisa Amosse esta tudo bem com a sua avó o que tens que fazer é ligar para o Delmar e outro amigo da embaixada para te levarem a pensão para ires procurar o bilhete.
Como sempre a voz da mulher é a voz do comando, liguei para o Paradona combinamos o ponto de encontro nas Amoreiras, sai da casa (Maria) a caminho da paragem do mesmo nome, minutos depois chega o Paradona exponho a minha preocupação .
E ele disse não tem problemas vamos a TAP resolve-se este caso. Fiquei sossegado saímos em direcção ao aeroporto, o celular toca toca Delmar diz:
-estou na embaixada a vossa espera com uma actriz brasileira.
-Dentro de 5 minutos chegamos ao vosso encontro, respondeu Paradona
saimos a moda da fórmula 1 que se conduz em Portugal despertamos na ponte em direcção a Setúbal. estamos perdidos para voltar temos que atravessar a ponte e voltar de novo na rotunda da Costa da Caparica -disse Paradona.
Este era o prenúncio de um festival de perdidas que o dia esperava nos presentear. Chegamos a embaixada encontramo-los bem cansados de tanto esperar e bem sossegados de tanto conversar fez-se a divisão tal como deus fez quando dividiu o céu e o mar a bela actriz brasileira que passou a responder por Vera Barbosa entrou no carro onde eu estava com Paradona, o maestro do Núcleo Tenaz Jorge Viegas, Delmar Gonçalves e a esposa ficaram noutro carro e saímos escoltando-nos em direcção ao aeroporto, ali resolveu-se o problema do bilhete a troco de 40 Euros Paradonianos.
São 12 horas a viagem a Vila Nova de Famalicão é longa os dois condutores trocam os mapas e o Delmar disse vamos pela via Torres Vedras em direcção a Porto isto na A25 e desviaremos na A3 sentido Porto- Braga.
Embalamo-nos na estrada de olhos bem abertos nas instruções da voz que falava verdades, o caminho é sempre a frente até encontrarmos a rota do desvio para Braga, o motor roncou com os pés rentes a estrada que nos namorava a 30 minutos do ponto de partida, a viagem teria a duração de 3h e 30minutos.mas devido ao mapa errado dado pela pessoa certa, prosseguimos felizes ao som da voz da Vera Barbosa ali falamos de tudo( teatro, literatura, cinema e mais) e de todos( Saramago, Jorge Amado, Craveirinha) antes de chegar a Aveiro o Delmar liga a perguntar sobre o nosso paradeiro
-estamos a passar a Aveiro- respondi, era uma pura mentira que o celular as vezes nos induz, decidimos parar nas bombas a 5 km de Aveiro, pois ja estava tudo quente precisávamos de uma água ali nos reencontramos, e confirmou-se que estávamos no caminho certo, dividimo-nos tal como deus nos ensinou.
A viagem continuo firme nos nossos ideias comunistas que diziam- chegaremos a Famalicão as 15 horas. puro sonho irrealizável, dai perdemo-nos um do outro, continuamos abraçados a estrada na esperança de chegar beijar a cidade que nos espera a séculos ,os poemas abertos nas mesas para as nossas bocas aprovarem e os poetas antropófagos que desejam comer as experiências dos poetas moçambicanos.
As horas em nenhum momento perdoaram-nos e a distância chamava por nós seduzindo-nos com a sua nudez alcatroada de mel e os seus olhos pedregosos de vinhas de sabores milenares.
Passamos o cruzamento do Porto esperançados no próspero encontro do desvio Braga, chamamos o Delmar telefonicamente e disse estão no caminho certo é para frente que se vai a Famalicão. Depois da fala a Vera e o Paradona colaram algumas interrogações no tecto que nos cobria pois ela cheirava o perfume de Viseu. Continuamos a andar em direcção a fronteira com Espanha (Viseu).
As horas transbordavam de forma violenta no nosso rio das incertezas, 17 horas ainda a bordo desta amável estrada e em Famalicão iniciavam as RAIAS DOS RAIOS DA POETICA.
Oh Paradona o primeiro desvio que encontrarmos vamos voltar para Coimbra e lá encontraremos o caminho para Porto- disse a Vera, estávamos em Tondela, ligamos para o Delmar - ele confirmou que já tinha chegado a Famalicão e já tinha informado a todos convidados que os poetas moçambicanos e a actriz brasileira estavam perdidos. Tomamos a estrada em direcção a Coimbra cansados de beijar a mesma boca da A25 e por fim encontramos a A3 com a placa Porto ai nos sentimos em casa acordamos do tédio que nos acompanhava continuamos a esculpir a conversa que a 1 hora o silêncio tinha a tomado de assalto.
E por fim as 19h chegamos a Famalicão ali reencontramos velhos e novos amigos Abreu Paxe João Maimona (Angola), Luís Serguilhas, Maria João Cantinho, Luisa Demétrio Raposo, Jorge Velhote, Jorge Melicías Aurelino Costa, José Ilidio Torres, Inês Leitão, Marilía Lopes, Aurora Gaia, Luisa Monteiro ( Portugal), Laercio Correntina, Manaíra Aires Athayde, Cláudia Carvalho Machado ( Brasil) Alberte Momán, Ramiro Vidal Alvarinho, Verónica Martínez Delgado Carlos Quiroga, Javier Diaz (Espanha), e outros que a palavra sempre nos aproxim(ou)a deles. este era o baptismo das Primeiras Raias Poéticas das Afluentes Ibero-Afro-Americanos na Vila Nova de Famalicão, bem haja.
Amosse Mucavele
1.12.12 Hotel Moutados
1.12.12 Hotel Moutados
Quarto 404, 02 horas:50 minutos
Vila Nova de Famalicão
domingo, 9 de março de 2014
"ENTRE DOIS RIOS COM MARGENS" por MARIA DOVIGO
O VELHO IMBONDEIRO OU A LIGAÇÃO DA HUMANIDADE EM TRÂNSITO
(NOTAS A "ENTRE DOIS RIOS COM MARGENS")
Não desligo o labor poético
do entendimento do humano concreto e da vontade de fazer o bem. Assim, o livro
do Delmar Maia Gonçalves, Entre dois rios
com margens, é exemplo de um sincero contributo do poeta exilado para o
esforço coletivo da emancipação da humanidade em trânsito, em que o poeta “se
revela na generosidade com que se dá aos outros”.
O fio narrativo do conjunto
dos poemas é o homem que se exilia da sua terra devastada para procurar nos
longes a salvação da terra da infância, o tempo que “é o centro crucial do
furacão da vida”. Como nos contos de tradição oral, o herói parte para
compensar uma perda, a perda da harmonia, do canto, da paz. O poeta canta
“sobre as cinzas”, com uma linguagem fragmentada, caótica, expressão da perda
da harmonia. A viagem é uma religação com a raíz, um “imigro de mim para mim
mesmo”, a procura do centro perdido, um pedaço na “esfera do caos”.
É na viagem deste herói
poeta que se juntam as esperanças da coletividade. O poeta é a esperança no
retorno da harmonia, o que procura “o fio da palavra vital”. Em ele resistem as
memórias da língua dos pássaros, ele porta consigo a memória das árvores
milenares, do velho imbondeiro africano, o irmão da lua, que com ele faz a viagem do mundo. Ele é o
intérprete da grande voz cósmica, isto é, ordenadora, que se ouve nas conchas.
Ele, o poeta exilado, o poeta em trânsito, pensa em movimento, como as “ondas
do mar”. Procura incessante a esperança, esse momento em que ao seu “país as aves
regress[em], e com elas a alegria, a paz, a vida e os poetas”. Esse pensamento
que, como o vento, “sopra violento”, percorre dualidades, “de mim para mim”, entre
“dois rios com margens”, entre o silêncio e as vozes, os “silêncios que falam”,
“o murmúrio dos novos tempos”. A “solidão plural do berço umbilical” é “bálsamo
revigorante” do poeta que vê “os caminhos se encurtarem e as portas se
fecharem”. Este passo entre a dualidade e a identificação, é o primeiro
movimento do pensamento para conseguir a ligação e dar sentido à dor da
fragmentação, essa dor que o poeta quer “exorcizar” com a escrita. Assim se afirma
o poeta exilado como aquele vai buscar a luz da aurora, a vida e a esperança, o
“despertar” para a coletividade.
Pela lei da isomorfia da
imaginação humana, o poeta consegue a síntese em que se identificam as duas
margens do rio, a superação dessa primeira barreira para a comunicação que faz
uno o percurso do viajante e do poeta. A viagem poética revela que a paz, a
abundância e o canto são três palavras para a harmonia única do humano, a
expressão da vida renovada, vida material, vida anímica, vida sonhada, na
primavera esperada da língua e da comunidade.
De entre todas as imagens de
esperança, nenhuma tão forte como a da árvore, a “força integradora do mundo”,
em expressão do crítico Gaston Bachelard, os velhos imbondeiros africanos que
“repousam” no poeta. Por aparente paradoxo, a raiz da árvore é ligação à terra
mãe e nó de ligações que reúne todos os caminhos do mundo. A voz cósmica das
árvores, tão conhecida pela tradição poética da minha Galiza natal, a voz das
“longínquas avós das carvalheiras” do poeta galego Celso Emílio Ferreiro ou dos
pinheiros, arautos da redenção da terra escrava, do poeta Eduardo Pondal. Assim
é o imbondeiro, que liga o sagrado, o poético e o histórico, o humano e o
natural. O imbondeiro ressequido do poema “África”, imagem da devastação da
pátria, tão semelhante à do carvalho abatido do poema de Rosalia de Castro “Os
carvalhos”. O imbondeiro irmão da lua, como os pinheiros que com o luar
dialogam no poema que deu origem ao hino galego, a lua que banha “a esperança
adormecida” do poeta.
Encontram os poetas a
universalidade da imaginação, esse “céu invisível”, na diversidade material da
vida que liga o natural e o humano. Encontra assim o poeta sentido à sua
própria viagem de exílio, à afirmação da liberdade da criação do “nómada e
pássaro livre em voo rasante”, como se identifica no poema “Eu sou eu II”. O
repouso já não está no espaço físico exterior, uma das margens do rio, mas no
espaço linguístico interior, a outra margem, o espaço da língua recriado no
poema “Trabalho da língua”, que dá a dimensão da humanidade e do labor do poeta
que não distingue o individual e o coletivo, essa solidão plural que descobre a
identidade do poeta errante em ser “a voz destemida dos sem voz”, algumas das
muitas dualidades que identificam este livro de poemas. A língua que se liga
aos ritmos vitais da natureza, ao rio que tudo e todos une, encontra o seu
renascer nos versos de Delmar Maia Gonçalves.
Maria Dovigo
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Grandes nomes que zelam pela língua Portuguesa ingressarão no Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa em Março de 2014
Está confirmada! A Posse do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa, receberá grandes nomes não só de Portugal mas, também dos países lusófonos para Noite de Outorgas no dia 28 de março em Lisboa. Grandes artistas, poetas e escritores. Alguns brasileiros também serão indicados e em breve todos poderão conhecer os nomes dos brasileiros confirmados.
Segue abaixo alguns nomes que irão fortalecer e enriquecer
este núcleo e que deixarão seus nomes na imortalidade.
1 -Roberto Chichorro
(Moçambique)
2 - David Levy Lima
(Cabo-Verde)
3 - Ascêncio de Freitas
(Moçambique)
4 - Jorge Viegas
(Moçambique)
5 - Ribeiro Canotilho
(Moçambique)
6 - Waldir Araújo
(Guiné-Bissau)
7 - Ana Mafalda Leite
(Moçambique)
8 - Fernando Grade
(Portugal)
9 - Mário Máximo (Portugal)
10 - Alberto Araújo
(Timor-Leste)
11 - Delmar Maia Gonçalves
(Moçambique)
12 - Vera Novo Fornelos
(Portugal)
13 - Samuel Pimenta (Portugal)
Etiquetas:
Núcleo de Letras e Artes de Lisboa
domingo, 8 de dezembro de 2013
“MADALENA O TRADICIONAL CASAMENTO SEM AMOR”
Quando o parto de “Madalena - O
tradicional Casamento sem amor” aconteceu, deixou de pertencer ao autor HOSTEN
YASSINE ALI, sendo carinhosamente acariciado pelos seus leitores cúmplices. Depois de conquistar muitos destes
leitores em Portugal, eis que me surge finalmente nas mãos fresquinho, kanimambo
vida que o trouxe aos meus sentidos… depois de encontros, desencontros e
reencontros com o autor. Obviamente, uma grande surpresa, como de resto o
próprio autor. Bons olhos o vejam!
Um jovem oficial da marinha
moçambicana em Portugal, em formação superior, habituado a disciplina reclusiva
e rigor, propícia ao Escritor em potência que já morava nele, foi reflectindo
em torno de questões fundamentais da sociedade moçambicana e da nossa
existência. Um olhar microscópico sobre realidades já conhecidas nalguns casos,
mas não debatidas e eventualmente desconhecidas para outros.
Períodos longos que permitiram ao
Autor um longo namoro com a escrita de que resultou este belo livro,
magistralmente escrito.
O jovem Escritor Moçambicano, um
Cronista de excelência e um grande romancista em potência, surpreendem pela
maturidade na escrita, pelas escolhas que fez enquanto “iniciante” na
literatura e pela enorme qualidade e valor estético-literário da sua obra (“Kurhula”
crónicas e “Madalena- O tradicional casamento sem amor” Romance). Escolha
arriscada , mas pensada. Calculo.
As tradições aqui desnudadas,
muitas vezes incompreendidas são um apelo ao seu conhecimento, compreensão e
descodificação.
A identidade de qualquer povo
está alicerçada na língua e num sistema
de valores e tradições mais ou menos contestados, sobretudo quando se sofrem
500 anos de colonização e um combate cego, feroz e desigual (ao tribalismo,
regionalismo, obscurantismo), desde 1975, e que se prolongou num longo período
pós-independência até 1986, terminando sem vencedores nem vencidos.
Não se combatem as tradições com
decretos lei. Mas, qualquer tradição pode conter nela códigos e práticas
nocivas ou até carregadas de violações de direitos fundamentais e genericamente
atropelos graves à dignidade humana para as sociedades modernas, em especial
para as mulheres da sociedade moçambicana actual, no actual estágio de
desenvolvimento. Mas, por outro lado, podem conter códigos que beneficiam
franjas de cidadãos fragilizados pela sua condição, particularmente as mulheres
em determinados contextos.
Nesse sentido, o Autor
interpela-nos e motiva-nos à reflexão profunda sobre uma realidade que existe e
que não pode jamais ser ignorada.
Cabe-nos a nós leitores, fazer a
escolha subjectiva entre o que é nocivo e o que é benéfico, contribuindo se
possível para o debate e para a eliminação, se necessário, de práticas nocivas
ou não, que efectivamente podem prejudicar mais do que beneficiar globalmente a
sociedade moçambicana, num diálogo sábio e permanente com as tradições.
DELMAR MAIA GONÇALVES
(PRESIDENTE DO CÍRCULO DE
ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA – CEMD)
Jornalista Shirley M. Cavalcante (SMC) entrevista escritor Delmar Gonçalves
|
Delmar Maia Gonçalves nasceu a 5 de Julho de 1969 em Moçambique.
É Membro do Júri do I Concurso Internacional de Escritores Infanto-Juvenis
“La Atrevida” e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.
Também é membro do Conselho Cultural da Associação Cultural e Artística
Portugal-Lituânia e Membro da direção do Movimento Internacional Lusófono. Livros
Publicados: Moçambique Novo, o Enigma; Moçambiquizando; Afrozambeziando Ninfas e Deusas; Mestiço de Corpo Inteiro; Entre dois rios com margens. www.delmarmg.tk.
|
1.
Prezado escritor Delmar Gonçalves para nós é um
prazer contar com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos o
que mais lhe atrai na escrita literária? O que o motiva a escrever?
DMG: O que mais me atrai na escrita
literária é o eterno namoro do Poeta com as
palavras. Os escritores buscam a eternidade delas e não se cansam nunca
da virtude da beleza e do espanto! O que me motiva a escrever é o sentimento
grato de estar vivo e viver. Sobreviver
apenas , não é justo! A poesia da vida não aceita! Depois, o vínculo da
minha escrita ao útil. A literatura come-se, porque nos alimenta o corpo e a
alma eliminando as gorduras desnecessárias.
2.
Que temas você aborda em seu livro “Moçambique
Novo, o Enigma”?
DMG: No livro MOÇAMBIQUE NOVO, O ENIGMA,
meu país que é efectivamente um enigma é o tema central do livro. Seus dramas,
tristezas, alegrias, vitórias e derrotas estão presentes.
3.
Como surgiu a ideia de escrever seu livro “Moçambiquizando”?
Como foi a escolha do Título?
DMG: No fundo, a continuação de um exercício de moçambicanidade co
“MOÇAMBIQUIZANDO”. Uma espécie de dança, uma celebração do meu país. Uma
necessidade de abraçar o meu país! O título para mim diz sempre muito. Mas,
este saiu naturalmente para perpetuar minha relação especial com ele!
4.
“Afrozambeziando
Ninfas e Deusas” Em quanto tempo você escreveu este livro? Que temas você
aborda nesta obra?
DMG: Não faço ideia. Fui
escrevendo e não dei pelo tempo. A escrita absorve-me sem me cansar. Nesta obra
o tema central é a mulher. A mulher Africana, a mulher Moçambicana, a mulher
mãe, a amante, a prostituta ou a Deusa.
5.
Qual o público que você pretende atingir com o seu
trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas?
DMG: Escrevo por puro prazer. Não escrevo a pensar no público. Nessa
medida, não escolho público alvo. Mas como é óbvio, gostaria de ser lido por
todos e em especial por aqueles que não compreendem o que é ser emigrante,
imigrante forçado ou exilado e viver na diáspora, fora da sua pátria! A minha
mensagem é de paz, verdade, humanismo, irreverência, coragem e fraternidade
universal.
6.
Escritor Delmar de que forma você divulga, hoje, o
seu trabalho?
DMG: Divulgo através de entrevistas às rádios, televisões, revistas,
jornais, participação em eventos culturais nacionais ou de cariz internacional,
sites, blogues e das redes sociais.
7.
Onde podemos comprar os seus livros?
DMG: Em diversas livrarias de Lisboa, em
Sites de livrarias Portuguesas e
espanholas online, de editoras, no meu Site pessoal e do Círculo de Escritores
Moçambicanos na Diáspora.
8.
Você hoje é presidente/representante de várias
entidades literárias, conte-nos quais seus principais objetivos ao Representar
estas entidades? De forma resumida quais as principais atividades que vocês desenvolvem? Quem pode
participar?
DMG: Ao representar várias entidades literárias pretendo apenas
intensificar e formalizar meu vínculo e paixão eternos com a literatura,
promovendo-a e promovendo velhos e novos autores, uns mais reconhecidos, outros
menos, uns mais mediáticos outros não! Promovemos um Encontro anual, uma Gala
trianual, uma Revista do Encontro, Revistas Culturais mensais, Tertúlias de
Poesia regular e Encontros mensais com escritores e poetas. A participação é
sempre aberta a todos independentemente da sua nacionalidade. Participam
essencialmente poetas, escritores (ensaístas, cronistas, romancistas,
contistas), jornalistas, artistas plásticos e críticos literários. Atribuímos
um Reconhecimento anual a um Escritor/ Poeta e outro a um Artista Plástico.
E escolhemos Sócios Honorários que
contribuem para a cooperação e o intercâmbio Lusófonos.
9.
Que diferenças literárias você citaria entre o
mercado literário de Portugal e mercado literário de Moçambique?
DMG: O mercado literário português é muito mais competitivo, há muito
mais oferta de autores e livros. Há mais hipóteses de escolha. O mercado
moçambicano verifica-se estar em franco crescimento, com muitos autores de
qualidade, mas com limitações na área editorial , que ainda carece de muito
financiamento e alguma dependência do mecenato cultural. Acredito no futuro da
literatura moçambicana que não se resume aos quatro ou cinco autores de que se
vai falando de forma insistente. Há muitos mais e com enorme qualidade. Alguns
deles muito jovens e que merecem todo o carinho e apoio, bastando que apostem
neles.
10.
Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista,
agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer
melhor o Escritor Delmar Gonçalves, que mensagem você deixa para nossos
leitores?
DMG: Quero deixar um grande e fraterno abraço aos leitores do Projeto
DIVULGA ESCRITOR e para quem não conhece bem a LITERATURA MOÇAMBICANA, que
ultrapassa as fronteiras geográficas de Moçambique, procure aprofundar esse
escasso conhecimento e tornar-se-á rapidamente uma enorme paixão!!! Grato
abraço SHIRLEY M. CAVALCANTE.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
ENTREVISTA AO JORNAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IMPRENSA
O Governo
de Moçambique ratificou o AO em 2012. Essa posição teve em conta a Presidência
da CPLP que o país assumiu. De resto é a posição do Governo Moçambicano de que
os moçambicanos falam português, mas com características muito próprias, tendo
em conta o grande peso das chamadas línguas nacionais. Na perspectiva deste
Governo haverá também aqui imenso trabalho a fazer entre a ratificação do AO já
feita e a plena entrada em vigor do mesmo. Sendo preciso clarificar a dimensão
total e global das implicações de natureza não só financeira, como também,
organizativa e operativa da língua.
2 - Há oposição significativa ao AO em Moçambique?
Se
considerar os escritores, poetas, jornalistas, professores de todos os níveis
de ensino, formadores, educadores, investigadores, linguistas, artistas
plásticos e alguns políticos moçambicanos significativos, então sim, é muito
significativa a oposição. Depois, não se pode esquecer toda a massa intelectual
moçambicana nas várias diásporas. Para além das vozes que se erguem, há ainda
muitas vozes silenciosas.
3 - Qual é a opinião do senhor sobre as novas regras adotadas pelo AO?
A minha
posição é clara. Sou absolutamente contra o AO, digo mais: repudio-o! Este
acordo nem sequer tem em conta a realidade específica de Moçambique, é um
acordo meramente de cariz económico-financeiro, que não respeita as
especificidades culturais dos diversos países da CPLP (africanos e
Timor-Leste).
4 - Na opinião do senhor, o AO leva em conta as diferenças culturais entre os diversos países falantes de Português?
Na minha
opinião, não leva em conta, nem respeita as diferenças culturais e linguísticas
dentro do espaço da CPLP. Além da língua portuguesa, quantas línguas mais se
falam na Guiné-Bissau? Quantas línguas mais se falam em Angola? Quantas línguas
mais se falam em Moçambique? Quantas línguas se falam em São Tomé e Príncipe,
Cabo Verde ou Timor –Leste?
Alguém
teve em conta que em alguns destes países a padronização destas línguas estava
ainda em curso ou, em alguns casos, não se tinha ainda iniciado? E a
alfabetização que decorria terá que ser feita em novos moldes?
5 - O AO facilita ou dificulta o ensino da língua em Moçambique?
Se fala
do ensino na língua portuguesa, eu diria pessoalmente, que dificulta. Porquê?
Porque a formação ainda é deficitária. Muita gente já sentia dificuldades na
norma anterior da escrita e da fala e estava ainda num processo de
consolidação. Com o novo AO todo o trabalho feito, que foi muito e
significativo, vai por água abaixo. Quem domina a língua portuguesa,
actualmente, precisa de formação e até que, o domínio da nova norma seja
efectivo, isso levará quanto tempo? Moçambique ainda tem falta de quadros na
educação e os que há, apresentam algum défice de formação contínua, salvo uma
relativa minoria e precisaremos de formadores em todas as áreas e sectores de
actividade da sociedade, não só de educação. Quem, como e quando serão
formados? E por quem? Quantos especialistas do novo AO há disponíveis para ir
formar Moçambique de norte a sul? E quem lhes irá financiar?
Outro
facto a ter em conta, como atrás referi, será o da padronização das outras
línguas faladas em Moçambique. Já existem aulas experimentais de alfabetização
nalgumas línguas nacionais e outras ainda em processo de estudo. Como ficará
tudo isto? Pergunto-me se tiveram em conta todos estes factores?
E os
manuais escolares moçambicanos serão produzidos por quem? Quem os financiará?
Onde serão editados e quem serão os seus autores? Em quanto tempo será feito
tudo isto? Quem irá financiar e apetrechar as bibliotecas nacionais, locais e
escolares, que ainda recebem livros com a norma anterior e que muito se
lamentam da falta de livros técnicos e não só?
ENTREVISTA A SITE ANGOLANO
1)
Comecemos com a pergunta da praxe, como começou a escrever?
R:
Bem, comecei a escrever na escola e na altura escrevi mais prosa. Isto foi em
1982, ainda em Moçambique, e nessa altura já admirava muito o Eça de Queirós,
Escritor Português, que descobri na
humilde mas bela Biblioteca Municipal de Quelimane. E gostava também de ler
Banda Desenhada, Lendas e Contos.
2) Quais são as influências da infância
e adolescência que determinaram para a sua opção pela poesia e não para uma
outra vertente artística? E porque?
R:As
minhas influências da Infância e Adolescência que determinaram a minha opção
pela Escrita e não propriamente pela Poesia, de que no princípio nem era grande
adepto, e não escrevo apenas Poesia.Foram como disse, antes as minhas leituras
de Eça de Queirós (de Portugal), a descoberta da Moçambicana Noémia de Sousa na Poesia, da Poesia Erótica e Satírica do Poeta
Português Bocage, da Poesia do
Moçambicano Rui Nogar, da leitura dos Contos das Mil e Uma Noites, da leitura de Pepetela (de Angola), da leitura
de Ruy Mingas (de Angola) e de alguns
dos livros da colecção FBI que
surripiava ao meu pai. Depois, lia muito os Jornais Moçambicanos “Notícias”,
“Domingo” e a Revista “Tempo” que o meu pai sempre comprava e via muito Cinema
que depois contava aos familiares e amigos (meu falecido irmão mais velho era Artista Plástico Moçambicano e trabalhava
em dois Cinemas de Quelimane). Também tinha um avô já falecido, que
gostava de contar Histórias com grandes pingos de humor! Foi aí que decidi começar as minhas primeiras tentativas de
Escrita.
3) Como se deu o processo de fixação em Portugal e
para que fins?
R:
Foi doloroso. Nunca o esperei, pois a
incorporação no serviço militar obrigatório moçambicano de vários familiares
meus, entre eles de um irmão, vários primos, tios e tias, devido à birrice vingativa pessoal de
um Comandante com a minha Família, não augurava nada de bom para mim e para um
outro irmão meu. Tivemos de sair do nosso país para Portugal para
prosseguir os Estudos. A África do Sul nunca foi opção, porque não concordavamos com o desumano Sistema político do APARTHEID.
4) Como tem sido a sua vida artística fora de
Moçambique?
R:
Tem
sido abençoada por coisas boas graças ao meu esforço, trabalho e dedicação. Já
ganhei alguns Prémios e Reconhecimentos importantes. Felizmente os Convites não
param de surgir. Ainda espero concretizar
muitos Projectos e muitas conquistas.
5) Sabemos que criou o CEMD «círculo de escritores
moçambicanos na diáspora» qual é exatamente o trabalho que desenvolve?
R:Promover
e Divulgar a Literatura Moçambicana (dentro e fora de Moçambique) e autores
Moçambicanos conhecidos e desconhecidos que estão dentro e fora de Moçambique, criar
pontes entre nós e potenciar o
intercâmbio entre os Autores da CPLP.
6) Que relações mantem com os escritores moçambicanos
na diáspora e em Moçambique?
R:
Quer
nas diásporas, quer em MOÇAMBIQUE sem
excepção, relaciono-me bem com todos, de forma natural, saudável e
normal. Existe um intercâmbio intelectual saudável. Todos os dias trabalho para que este
objectivo seja uma realidade, pois acredito que o compromisso maior dos
Escritores deve ser com a Escrita! Alguns desses Escritores, tornaram-se meus amigos pessoais e cúmplices das grandes jornadas literárias!
7) Na sua opinião quais são as
dificuldades para publicar um livro em Moçambique?
R: Tem a ver com o fraco investimento editorial
nos autores moçambicanos menos conhecidos ou ainda pouco reconhecidos ou
desconhecidos. As grandes Editoras não apostam em valores desconhecidos. Uma
visão estratégica errada! Depois, o mecenato cultural deveria ser mais
incentivado e reconhecido!
8) Fale-nos da
literatura africana contemporânea (Angola, Cabo-verde, Guiné-Bissau, Moçambique
e São Tomé e Príncipe).
R:
Creio que as Literaturas Moçambicana, Angolana e Cabo-Verdiana levam vantagem
sobre as Literaturas da Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe. Ganharam um
Estatuto diferente! Moçambique, Angola e Cabo Verde ganharam a Projecção que a
Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe ainda não
possuem. Mas julgo também que apesar de tudo, todas elas partilham os
mesmos dramas e problemas!
9) Na sua opinião como
está a literatura africana de língua portuguesa, em termos de produção?
R:
O número de Autores de qualidade aumentou e obviamente a produção literária
cresceu. Virou moda ser Escritor, Poeta
ou Artista Plástico! O inverso também aconteceu, há demasiada gente publicando,
mesmo sem qualidade nenhuma. E existe
muito oportunismo e busca de simples protagonismo doentio. Será necessária a filtragem, que
estou certo só a crítica e as Academias se encarregarão de fazer! Nesse
processo, deve estar de fora o poder político!
10) Qual a sua opinião sobre o ensino das
artes nas escolas africanas?
R:
Julgo
que em relação ao meu país em especial, apesar de ter grandes mestres da
Pintura, Desenho, Escultura, Cerâmica e Fotografia (Malangatana, Chichorro, Bertina
Lopes, José Pádua, Naguib, Inácio Matsinhe, Reinata Sadimba, Shikani, Lívio de Morais,
Ribeiro Canotilho, Chissano, José Júlio, Lara Guerra , Mankeu, Naftal Langa, Heitor Pais, Ricardo Rangel, Ntaluma),
precisa de um grande investimento na área do Ensino.Mais Escolas Intermédias,
Profissionais e Superiores de Artes e de preferência em todas as Cidades
Capitais Provinciais até ao Ensino Universitário, com promoção de Mestrados e
Doutoramentos. Julgo também que teremos
muito a aprender com outros países da África Central,nesse aspecto particular! De
resto, acredito que Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e
Princípe têm problemas comuns nesta área.
11) Sobre a literatura
de língua portuguesa, que livros recomenda para leitura obrigatória e porquê?
R:
Neste momento, julgo haver Autores que já deveriam ser obrigatórios! Sem
discriminar ninguém, julgo que José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli, Rui
Nogar, Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Eduardo White, Luís Carlos
Patraquim e Virgílio de Lemos devem ser as referências. Mas sem descurarem
Antologias inclusivas de todos os outros Autores Moçambicanos que estão
dentro e fora do país e já
possuem obra significativa.Exemplos? Nélson Saúte, Marcelo Panguana, Calane da Silva, Ascêncio de
Freitas, Lília Momplé, João Paulo Borges Coelho, Heliodoro Baptista, Jorge
Viegas, Suleiman Cassamo, Delmar Maia Gonçalves, Guita Jr., Sebastião Alba, Sónia
Sultuane, Lucílio Manjate, Ruy Guerra, Albino
Magaia, Bahassan Adamodgy, Jorge Rebelo, Filimone Meigos, Marcelino dos Santos,
Luís Bernardo Honwana, Rui de Noronha, Reinaldo Ferreira, Nuno Bermudes, Glória
de Sant’Anna, Ana Mafalda Leite, Orlando Mendes, entre outros.
12) Qual é a importância
da literatura oral no contexto atual e num mundo cada vez mais globalizado?
R:
É de importância fulcral, pois é o início de tudo. Necessariamente teremos de
preservá-la, defendê-la! Está lá a nossa Identidade, a raiz da nossa História
ancestral! Mas julgo estar neste momento
sendo resgatada pelos jovens Africanos, que já perceberam a sua
importância!
13) Fale-nos do contexto
atual do estado Moçambicano, estamos a beira de uma guerra? Como cidadão qual é
a sua opinião?
R:
Creio que neste momento vivemos uma guerra não declarada, com consequências imprevisíveis. O próprio regime
de tipo Democrático estará posto em causa em termos de futuro. Sou
absolutamente contra o belicismo actual, e, portanto, contra qualquer hipótese de
guerra. Este conflito deve ser resolvido pela via do Diálogo, que aliás estava
decorrendo quando foi bruscamente interrompido! Não julgo normal ou viável que
sucedam ataques armados recíprocos com mortes e em simultâneo se fale de
Diálogo e de Paz! As Hostilidades devem parar já!!! É uma loucura, um absurdo
em que o Povo Moçambicano não se revê!
14) Enquanto poeta e
escritor, que mensagem deixaria para a juventude africana?
R:
Apelaria para que a Juventude Africana aposte forte na sua formação quer Académica
quer Profissional, acredite em si própria e tenha fé e esperança no FUTURO, sem
que isso signifique deixar de ser mais
reivindicativa , mais crítica e
auto-crítica no PRESENTE! Nada nos é dado de mão beijada, gratuitamente. Temos
de lutar, lutar sempre para conquistar
um pedaço que seja do nosso chão!
Por: Domingas Monte
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
domingo, 10 de novembro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Informação importante sobre o Acordo Ortográfico
Enquanto autor, sou totalmente contrário ao assim denominado "Novo
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", pelo que, continuo e
continuarei a escrever segundo a chamada "Norma Antiga".
Delmar Maia Gonçalves
Delmar Maia Gonçalves
terça-feira, 26 de março de 2013
«Viola Delta volume XLIX – poemas sobre África e outros textos»
Para
festejar os 35 anos dos Cadernos de Poesia Viola Delta, iniciados em
1977, surge este novo trabalho poético. Trata-se de um livro colectivo
com poemas de quinze autores: Al Aarão, Alberto Martins Rodrigues,
António Cardoso, António Salvado, Armando Taborda, Carlos Domingos,
David Mestre, Delmar Maia Gonçalves, Fernando Grade, Fernando Pinto
Ribeiro, Júlio-António Salgueiro, Luís Filipe João, Luísa de Andrade
Leite, Manuel Ramilo Salgueiro e Maria Almira Medina.
Não se trata apenas de juntar poemas de 15 poetas em livro. Há sempre algo mais – História e Memória, ambas vivas. Todos os autores trazem uma nota de apresentação; por exemplo na ficha de Alberto Martins Rodrigues (1950-1986) escreve Fernando Grade: Do «I Encontro dos Escritores Portugueses», realizado em 1975, um dos grupos de trabalho emergentes foi a Comissão para Publicação de Autores em Editor: Afonso Cautela, Fernando Grade, Hermano Neves, João de Melo, José Correia Tavares, Júlio Conrado e Serafim Ferreira. Desta pró-literária (ou a-literária) salada russa salpicada de molho tártaro e beirense, acabou por não sair qualquer coelho da cartola real ou fictícia. Até porque o «25 de Abril» foi estrangulado pelos vendilhões do Tempo… Era alentejano de mais para ser sorvido pelos janotas analfas do Chiado. Os perfumadinhos encharcados em dólares (marados ou não). Os capados da alma.»
David Mestre (1948-1998) foi viver para Luanda com 3 anos, jornalista e poeta, desertou do exército português em Angola e foi preso em 1971 para ser libertado em 1974. Começou a publicar em 1973 e além de livros de poesia publicou crónicas e ensaios.
Júlio-António Salgueiro (1943-1975) foi um dos fundadores do Movimento Desintegracionista em 1965 e em Luanda escreveu o poema «Movimento da Terra»: «Depois da morte como depois da tua vida / Não procures o significado oculto da rosa apodrecida / Aonde queres chegar tens que partir só na tarde negra / Que zumbe na temperatura do grande verão / No centro da esfera de luz que se move em movimento / E não te prendas com o que não é há muito esperado / Não olhes a paisagem porque não é paisagem única / A ninguém interessa se estás contente e a águia desce / A prumo e cada átomo do teu corpo refaz o mundo / Na sua totalidade escuta há grandes intervalos / Que devem ser preenchidos entre a vida e a morte».
(Edições Mic, Ilustrações: J. Leitão Baptista, Júlio Gil. Nadir Afonso)
Não se trata apenas de juntar poemas de 15 poetas em livro. Há sempre algo mais – História e Memória, ambas vivas. Todos os autores trazem uma nota de apresentação; por exemplo na ficha de Alberto Martins Rodrigues (1950-1986) escreve Fernando Grade: Do «I Encontro dos Escritores Portugueses», realizado em 1975, um dos grupos de trabalho emergentes foi a Comissão para Publicação de Autores em Editor: Afonso Cautela, Fernando Grade, Hermano Neves, João de Melo, José Correia Tavares, Júlio Conrado e Serafim Ferreira. Desta pró-literária (ou a-literária) salada russa salpicada de molho tártaro e beirense, acabou por não sair qualquer coelho da cartola real ou fictícia. Até porque o «25 de Abril» foi estrangulado pelos vendilhões do Tempo… Era alentejano de mais para ser sorvido pelos janotas analfas do Chiado. Os perfumadinhos encharcados em dólares (marados ou não). Os capados da alma.»
David Mestre (1948-1998) foi viver para Luanda com 3 anos, jornalista e poeta, desertou do exército português em Angola e foi preso em 1971 para ser libertado em 1974. Começou a publicar em 1973 e além de livros de poesia publicou crónicas e ensaios.
Júlio-António Salgueiro (1943-1975) foi um dos fundadores do Movimento Desintegracionista em 1965 e em Luanda escreveu o poema «Movimento da Terra»: «Depois da morte como depois da tua vida / Não procures o significado oculto da rosa apodrecida / Aonde queres chegar tens que partir só na tarde negra / Que zumbe na temperatura do grande verão / No centro da esfera de luz que se move em movimento / E não te prendas com o que não é há muito esperado / Não olhes a paisagem porque não é paisagem única / A ninguém interessa se estás contente e a águia desce / A prumo e cada átomo do teu corpo refaz o mundo / Na sua totalidade escuta há grandes intervalos / Que devem ser preenchidos entre a vida e a morte».
(Edições Mic, Ilustrações: J. Leitão Baptista, Júlio Gil. Nadir Afonso)
José do Carmo Francisco
in Gazeta das Caldas
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