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domingo, 8 de dezembro de 2013

“MADALENA O TRADICIONAL CASAMENTO SEM AMOR”

Quando o parto de “Madalena - O tradicional Casamento sem amor” aconteceu, deixou de pertencer ao autor HOSTEN YASSINE ALI, sendo carinhosamente acariciado pelos seus leitores  cúmplices. Depois de conquistar muitos destes leitores em Portugal, eis que me surge finalmente nas mãos fresquinho, kanimambo vida que o trouxe aos meus sentidos… depois de encontros, desencontros e reencontros com o autor. Obviamente, uma grande surpresa, como de resto o próprio autor. Bons olhos o vejam!
Um jovem oficial da marinha moçambicana em Portugal, em formação superior, habituado a disciplina reclusiva e rigor, propícia ao Escritor em potência que já morava nele, foi reflectindo em torno de questões fundamentais da sociedade moçambicana e da nossa existência. Um olhar microscópico sobre realidades já conhecidas nalguns casos, mas não debatidas e eventualmente desconhecidas para outros.
Períodos longos que permitiram ao Autor um longo namoro com a escrita de que resultou este belo livro, magistralmente escrito.
O jovem Escritor Moçambicano, um Cronista de excelência e um grande romancista em potência, surpreendem pela maturidade na escrita, pelas escolhas que fez enquanto “iniciante” na literatura e pela enorme qualidade e valor estético-literário da sua obra (“Kurhula” crónicas e “Madalena- O tradicional casamento sem amor” Romance). Escolha arriscada , mas pensada. Calculo.
As tradições aqui desnudadas, muitas vezes incompreendidas são um apelo ao seu conhecimento, compreensão e descodificação.
A identidade de qualquer povo está alicerçada na língua e  num sistema de valores e tradições mais ou menos contestados, sobretudo quando se sofrem 500 anos de colonização e um combate cego, feroz e desigual (ao tribalismo, regionalismo, obscurantismo), desde 1975, e que se prolongou num longo período pós-independência até 1986, terminando sem vencedores nem vencidos.
Não se combatem as tradições com decretos lei. Mas, qualquer tradição pode conter nela códigos e práticas nocivas ou até carregadas de violações de direitos fundamentais e genericamente atropelos graves à dignidade humana para as sociedades modernas, em especial para as mulheres da sociedade moçambicana actual, no actual estágio de desenvolvimento. Mas, por outro lado, podem conter códigos que beneficiam franjas de cidadãos fragilizados pela sua condição, particularmente as mulheres em determinados contextos.
Nesse sentido, o Autor interpela-nos e motiva-nos à reflexão profunda sobre uma realidade que existe e que não pode jamais ser ignorada.
Cabe-nos a nós leitores, fazer a escolha subjectiva entre o que é nocivo e o que é benéfico, contribuindo se possível para o debate e para a eliminação, se necessário, de práticas nocivas ou não, que efectivamente podem prejudicar mais do que beneficiar globalmente a sociedade moçambicana, num diálogo sábio e permanente com as tradições.   


DELMAR MAIA GONÇALVES

(PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA – CEMD) 

domingo, 1 de agosto de 2010

A propósito do VII Encontro Internacional de Poetas da Universidade de Coimbra e os Afro-Americanos

Esta reflexão é a propósito da minha honrosa presença no VII Encontro Internacional de Poetas da Universidade de Coimbra em que mais uma vez , me surgiu aos olhos e ouvidos a designação que se dá aos Americanos Negros ou Mestiços ( descendentes de Negros com Brancos e vice-versa ! ).
A tal designação é de Afro-Americanos ! Um conceito novo!
De facto , até soa bem !
Acrescentaria que aos Sul-Americanos Naturalizados e seus descendentes , chamam-lhes Hispânicos ! Mas estranhamente aos Europeus Naturalizados e seus descendentes , ninguém chama de Euro-Americanos !
São conhecidos por Americanos ou Norte-Americanos !Vejam só!
E onde está a verdade nisto ?
Da verdadeira História da América " real " e autóctone há registos de Apaches-Mimbrenos , Apaches-Bedonkhoes , Apaches-Chiricahuas , Sioux , Iroquês-Mohawks , Sauks ,Seminolas da Florida , Sahaptins , Kiowas , Sioux-Mandans , Mimbrenos , Sioux-Tetons , Sioux-Oglalas e Comanches!
Serão estes os Norte-Americanos Originários dignos dessa designação , tendo em conta o território , os Povos que o habitavam e a posterior invasão e domínio pelo homem branco .Mas ao invés passaram a chamá-los erradamente de Índios!Eles que nem são da Índia , nem Indianos!
Depois , veio a escravatura , o "desenvolvimento" branco , a guerra civil , a abolição da escravatura e as posteriores imigrações .
Depreendo então , que se trata aqui de um fenómeno de Etnocentrismo Americano branco ou de orgulho negro Americano ?
Em ambos , vejo e revejo alguma ignorância no tratamento desta questão , aparentemente menor . Concluo então que há racismo e discriminação na linguagem usada ?
Ou apostou-se antes na chamada discriminação positiva da linguagem ?
Talvez tudo isto tenha sucedido em resultado de complexos de superioridade e inferioridade de uns e outros ? E terão sido bem ou mal resolvidos?