quinta-feira, 28 de novembro de 2013

ENTREVISTA AO JORNAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IMPRENSA


1 - Em que ponto está o Acordo Ortográfico em Moçambique? O governo chegou a ratificar?
O Governo de Moçambique ratificou o AO em 2012. Essa posição teve em conta a Presidência da CPLP que o país assumiu. De resto é a posição do Governo Moçambicano de que os moçambicanos falam português, mas com características muito próprias, tendo em conta o grande peso das chamadas línguas nacionais. Na perspectiva deste Governo haverá também aqui imenso trabalho a fazer entre a ratificação do AO já feita e a plena entrada em vigor do mesmo. Sendo preciso clarificar a dimensão total e global das implicações de natureza não só financeira, como também, organizativa e operativa da língua.

2 - Há oposição significativa ao AO em Moçambique?
Se considerar os escritores, poetas, jornalistas, professores de todos os níveis de ensino, formadores, educadores, investigadores, linguistas, artistas plásticos e alguns políticos moçambicanos significativos, então sim, é muito significativa a oposição. Depois, não se pode esquecer toda a massa intelectual moçambicana nas várias diásporas. Para além das vozes que se erguem, há ainda muitas vozes silenciosas.

3 - Qual é a opinião do senhor sobre as novas regras adotadas pelo AO?
A minha posição é clara. Sou absolutamente contra o AO, digo mais: repudio-o! Este acordo nem sequer tem em conta a realidade específica de Moçambique, é um acordo meramente de cariz económico-financeiro, que não respeita as especificidades culturais dos diversos países da CPLP (africanos e Timor-Leste).

4 - Na opinião do senhor, o AO leva em conta as diferenças culturais entre os diversos países falantes de Português?
Na minha opinião, não leva em conta, nem respeita as diferenças culturais e linguísticas dentro do espaço da CPLP. Além da língua portuguesa, quantas línguas mais se falam na Guiné-Bissau? Quantas línguas mais se falam em Angola? Quantas línguas mais se falam em Moçambique? Quantas línguas se falam em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde ou Timor –Leste?
Alguém teve em conta que em alguns destes países a padronização destas línguas estava ainda em curso ou, em alguns casos, não se tinha ainda iniciado? E a alfabetização que decorria terá que ser feita em novos moldes?

5 - O AO facilita ou dificulta o ensino da língua em Moçambique?
Se fala do ensino na língua portuguesa, eu diria pessoalmente, que dificulta. Porquê? Porque a formação ainda é deficitária. Muita gente já sentia dificuldades na norma anterior da escrita e da fala e estava ainda num processo de consolidação. Com o novo AO todo o trabalho feito, que foi muito e significativo, vai por água abaixo. Quem domina a língua portuguesa, actualmente, precisa de formação e até que, o domínio da nova norma seja efectivo, isso levará quanto tempo? Moçambique ainda tem falta de quadros na educação e os que há, apresentam algum défice de formação contínua, salvo uma relativa minoria e precisaremos de formadores em todas as áreas e sectores de actividade da sociedade, não só de educação. Quem, como e quando serão formados? E por quem? Quantos especialistas do novo AO há disponíveis para ir formar Moçambique de norte a sul? E quem lhes irá financiar?
Outro facto a ter em conta, como atrás referi, será o da padronização das outras línguas faladas em Moçambique. Já existem aulas experimentais de alfabetização nalgumas línguas nacionais e outras ainda em processo de estudo. Como ficará tudo isto? Pergunto-me se tiveram em conta todos estes factores?

E os manuais escolares moçambicanos serão produzidos por quem? Quem os financiará? Onde serão editados e quem serão os seus autores? Em quanto tempo será feito tudo isto? Quem irá financiar e apetrechar as bibliotecas nacionais, locais e escolares, que ainda recebem livros com a norma anterior e que muito se lamentam da falta de livros técnicos e não só?

ENTREVISTA A SITE ANGOLANO


Entrevista a Delmar Gonçalves poeta e escritor moçambicano
1) Comecemos com a pergunta da praxe, como começou a escrever?
R: Bem, comecei a escrever na escola e na altura escrevi mais prosa. Isto foi em 1982, ainda em Moçambique, e nessa altura já admirava muito o Eça de Queirós, Escritor Português,  que descobri na humilde mas bela Biblioteca Municipal de Quelimane. E gostava também de ler Banda  Desenhada, Lendas e Contos.

2) Quais são as influências da infância e adolescência que determinaram para a sua opção pela poesia e não para uma outra vertente artística? E porque? 
R:As minhas influências da Infância e Adolescência que determinaram a minha opção pela Escrita e não propriamente pela Poesia, de que no princípio nem era grande adepto, e não escrevo apenas Poesia.Foram como disse, antes as minhas leituras de Eça de Queirós (de Portugal), a descoberta da Moçambicana  Noémia de Sousa na Poesia,  da Poesia Erótica e Satírica do Poeta Português Bocage, da Poesia  do Moçambicano Rui Nogar,  da leitura  dos Contos das Mil e Uma Noites, da  leitura de Pepetela (de Angola), da leitura de Ruy Mingas (de Angola) e  de alguns dos livros da colecção FBI  que surripiava ao meu pai. Depois, lia muito os Jornais Moçambicanos “Notícias”, “Domingo” e a Revista “Tempo” que o meu pai sempre comprava e via muito Cinema que depois contava aos familiares e amigos (meu falecido  irmão mais velho  era Artista Plástico Moçambicano  e trabalhava  em dois Cinemas de Quelimane). Também tinha um avô já falecido, que gostava de contar Histórias com grandes pingos de humor! Foi aí que decidi  começar as minhas primeiras tentativas de Escrita.

3) Como se deu o processo de fixação em Portugal e para que fins?
R: Foi  doloroso. Nunca o esperei, pois a incorporação no serviço militar obrigatório moçambicano de vários familiares meus, entre eles de um irmão, vários primos, tios  e tias, devido à birrice vingativa pessoal de um Comandante com a minha Família, não augurava nada de bom para mim e para um outro irmão meu. Tivemos de sair do nosso país para  Portugal para  prosseguir os Estudos. A África do Sul nunca foi opção,  porque não concordavamos com o desumano  Sistema político  do APARTHEID.



4) Como tem sido a sua vida artística fora de Moçambique?
R: Tem sido abençoada por coisas boas graças ao meu esforço, trabalho e dedicação. Já ganhei alguns Prémios e Reconhecimentos importantes. Felizmente os Convites não param de surgir. Ainda espero concretizar  muitos Projectos e muitas conquistas.

5) Sabemos que criou o CEMD «círculo de escritores moçambicanos na diáspora» qual é exatamente o trabalho que desenvolve?
R:Promover e Divulgar a Literatura Moçambicana (dentro e fora de Moçambique) e autores Moçambicanos conhecidos e desconhecidos  que estão dentro e fora de Moçambique, criar pontes entre  nós e potenciar o intercâmbio entre os Autores da CPLP.

6) Que relações mantem com os escritores moçambicanos na diáspora e em Moçambique?
R: Quer nas diásporas, quer em MOÇAMBIQUE sem  excepção, relaciono-me bem com todos, de forma natural, saudável e normal. Existe um intercâmbio intelectual  saudável. Todos os dias trabalho para que este objectivo seja uma realidade, pois acredito que o compromisso maior dos Escritores deve ser com a Escrita! Alguns desses  Escritores, tornaram-se meus  amigos pessoais e cúmplices das grandes  jornadas literárias!

7) Na sua opinião quais são as dificuldades para publicar um livro em Moçambique? 
R:  Tem a ver com o fraco investimento editorial nos autores moçambicanos menos conhecidos ou ainda pouco reconhecidos ou desconhecidos. As grandes Editoras não apostam em valores desconhecidos. Uma visão  estratégica  errada! Depois, o  mecenato cultural deveria ser mais incentivado e reconhecido!

8) Fale-nos da literatura africana contemporânea (Angola, Cabo-verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe).
R: Creio que as Literaturas Moçambicana, Angolana e Cabo-Verdiana levam vantagem sobre as Literaturas da Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe. Ganharam um Estatuto diferente! Moçambique, Angola e Cabo Verde ganharam a Projecção que a Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe ainda não  possuem. Mas julgo também que apesar de tudo, todas elas partilham os mesmos dramas e problemas!

9) Na sua opinião como está a literatura africana de língua portuguesa, em termos de produção?
R: O número de Autores de qualidade aumentou e obviamente a produção literária cresceu. Virou moda ser  Escritor, Poeta ou Artista Plástico! O inverso também aconteceu, há demasiada gente publicando, mesmo sem qualidade nenhuma. E existe  muito  oportunismo e busca  de simples protagonismo  doentio. Será necessária a filtragem, que estou certo só a crítica e as Academias se encarregarão de fazer! Nesse processo, deve estar de fora o poder político!

10) Qual a sua opinião sobre o ensino das artes nas escolas africanas?
R: Julgo que em relação ao meu país em especial, apesar de ter grandes mestres da Pintura, Desenho, Escultura, Cerâmica e Fotografia (Malangatana, Chichorro, Bertina Lopes, José Pádua, Naguib, Inácio Matsinhe, Reinata Sadimba, Shikani, Lívio de Morais, Ribeiro Canotilho, Chissano, José Júlio, Lara Guerra , Mankeu, Naftal  Langa, Heitor Pais, Ricardo Rangel, Ntaluma), precisa de um grande investimento na área do Ensino.Mais Escolas Intermédias, Profissionais e Superiores de Artes e de preferência em todas as Cidades Capitais Provinciais até ao Ensino Universitário, com promoção de Mestrados e Doutoramentos. Julgo também  que teremos muito a aprender com outros países da África Central,nesse aspecto particular! De resto, acredito que Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe têm problemas comuns nesta área.

11) Sobre a literatura de língua portuguesa, que livros recomenda para leitura obrigatória e porquê?
R: Neste momento, julgo haver Autores que já deveriam ser obrigatórios! Sem discriminar ninguém, julgo que José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli, Rui Nogar, Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Eduardo White, Luís Carlos Patraquim e Virgílio de Lemos devem ser as referências. Mas sem descurarem Antologias inclusivas de todos os outros Autores Moçambicanos   que estão  dentro e fora  do país e já possuem obra significativa.Exemplos? Nélson Saúte, Marcelo  Panguana, Calane da Silva, Ascêncio de Freitas, Lília Momplé, João Paulo Borges Coelho, Heliodoro Baptista, Jorge Viegas, Suleiman Cassamo, Delmar Maia Gonçalves, Guita Jr., Sebastião Alba, Sónia Sultuane, Lucílio  Manjate, Ruy Guerra, Albino Magaia, Bahassan Adamodgy, Jorge Rebelo, Filimone Meigos, Marcelino dos Santos, Luís Bernardo Honwana, Rui de Noronha, Reinaldo Ferreira, Nuno Bermudes, Glória de Sant’Anna, Ana Mafalda Leite, Orlando Mendes,  entre outros.

12) Qual é a importância da literatura oral no contexto atual e num mundo cada vez mais globalizado?
R: É de importância fulcral, pois é o início de tudo. Necessariamente teremos de preservá-la, defendê-la! Está lá a nossa Identidade, a raiz da nossa História ancestral! Mas julgo estar neste momento  sendo resgatada pelos jovens Africanos, que já perceberam a sua importância!

13) Fale-nos do contexto atual do estado Moçambicano, estamos a beira de uma guerra? Como cidadão qual é a sua opinião?
R: Creio que neste momento vivemos uma guerra não declarada, com  consequências imprevisíveis. O próprio regime de tipo Democrático estará posto em causa em termos de futuro. Sou absolutamente contra o belicismo actual, e, portanto, contra qualquer hipótese de guerra. Este conflito deve ser resolvido pela via do Diálogo, que aliás estava decorrendo quando foi bruscamente interrompido! Não julgo normal ou viável que sucedam ataques armados recíprocos com mortes e em simultâneo se fale de Diálogo e de Paz! As Hostilidades devem parar já!!! É uma loucura, um absurdo em que o Povo Moçambicano não se revê!

14) Enquanto poeta e escritor, que mensagem deixaria para a juventude africana?
R: Apelaria para que a Juventude Africana aposte forte na sua formação quer Académica quer Profissional, acredite em si própria e tenha fé e esperança no FUTURO, sem que isso signifique   deixar de ser mais reivindicativa , mais  crítica e auto-crítica no PRESENTE! Nada nos é dado de mão beijada, gratuitamente. Temos de lutar, lutar sempre  para conquistar um pedaço que seja do nosso chão!

Por: Domingas Monte


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Informação importante sobre o Acordo Ortográfico

Enquanto autor, sou totalmente contrário ao assim denominado "Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", pelo que, continuo e continuarei a escrever segundo a chamada "Norma Antiga".

Delmar Maia Gonçalves

terça-feira, 26 de março de 2013

«Viola Delta volume XLIX – poemas sobre África e outros textos»


 

Para festejar os 35 anos dos Cadernos de Poesia Viola Delta, iniciados em 1977, surge este novo trabalho poético. Trata-se de um livro colectivo com poemas de quinze autores: Al Aarão, Alberto Martins Rodrigues, António Cardoso, António Salvado, Armando Taborda, Carlos Domingos, David Mestre, Delmar Maia Gonçalves, Fernando Grade, Fernando Pinto Ribeiro, Júlio-António Salgueiro, Luís Filipe João, Luísa de Andrade Leite, Manuel Ramilo Salgueiro e Maria Almira Medina.
Não se trata apenas de juntar poemas de 15 poetas em livro. Há sempre algo mais – História e Memória, ambas vivas. Todos os autores trazem uma nota de apresentação; por exemplo na ficha de Alberto Martins Rodrigues (1950-1986) escreve Fernando Grade: Do «I Encontro dos Escritores Portugueses», realizado em 1975, um dos grupos de trabalho emergentes foi a Comissão para Publicação de Autores em Editor: Afonso Cautela, Fernando Grade, Hermano Neves, João de Melo, José Correia Tavares, Júlio Conrado e Serafim Ferreira. Desta pró-literária (ou a-literária) salada russa salpicada de molho tártaro e beirense, acabou por não sair qualquer coelho da cartola real ou fictícia. Até porque o «25 de Abril» foi estrangulado pelos vendilhões do Tempo… Era alentejano de mais para ser sorvido pelos janotas analfas do Chiado. Os perfumadinhos encharcados em dólares (marados ou não). Os capados da alma.»
David Mestre (1948-1998) foi viver para Luanda com 3 anos, jornalista e poeta, desertou do exército português em Angola e foi preso em 1971 para ser libertado em 1974. Começou a publicar em 1973 e além de livros de poesia publicou crónicas e ensaios.
Júlio-António Salgueiro (1943-1975) foi um dos fundadores do Movimento Desintegracionista em 1965 e em Luanda escreveu o poema «Movimento da Terra»: «Depois da morte como depois da tua vida / Não procures o significado oculto da rosa apodrecida / Aonde queres chegar tens que partir só na tarde negra / Que zumbe na temperatura do grande verão / No centro da esfera de luz que se move em movimento / E não te prendas com o que não é há muito esperado / Não olhes a paisagem porque não é paisagem única / A ninguém interessa se estás contente e a águia desce / A prumo e cada átomo do teu corpo refaz o mundo / Na sua totalidade escuta há grandes intervalos / Que devem ser preenchidos entre a vida e a morte».
(Edições Mic, Ilustrações: J. Leitão Baptista, Júlio Gil. Nadir Afonso)

José do Carmo Francisco 
in Gazeta das Caldas

sábado, 26 de janeiro de 2013

"MESTIÇO DE CORPO INTEIRO" por DELMAR DOMINGOS DE CARVALHO


Quando li este livro de autoria do meu querido amigo Delmar Francisco Maia Barrigas Gonçalves, senti a dor da incompreensão e a alegria do amor que brota dum nobre coração universalista. Esta obra ficou a meu lado, na minha secretária, uma das raras que têm essa posição.


De vez em quando leio-a, reflito, torno a ler, procuro entrar no chamado “inconsciente coletivo”, coloco-me no lugar do meu irmão Francisco, mergulhando no seu mar profundo.

A ambos, nossos queridos pais escolheram o nome de Delmar, mas ele é Francisco, o Cristo da Idade-Média, agora do século XXI, sente as dores e as alegrias da Humanidade, como um verdadeiro discípulo do Salvador. Por isso ele é mestiço produto de cruzamentos acima das raças, do amor universal, onde elas não existem e onde florescem lindas flores de todas as cores.

Podem atirar-lhe pedras que ele reenviará flores carregadas do amor fraterno, puro, que tudo perdoa, que une e eleva. Ele é um Gandhi que tanto amou e muito sofreu; ele é um Martin Luther King II, que deu a vida pela Fraternidade Universal, e, ao mesmo tempo, ele é um simples e humilde cidadão que tem raízes em Moçambique, como em Trás-os-Montes, Portugal, como em muitos outros locais, ele é timorense, ele é São-tomense, ele é cabo-verdiano, ele é brasileiro, qual Padre António Vieira, apóstolo dos índios, ele é angolano, guineense, como é inglês, francês, americano, eslavo, indiano. Embora nascido em Quelimane, Zambézia, Moçambique, filho de um pai branco e de uma mãe negra,
Delmar Gonçalves é um cidadão universal.

E porque é mestiço sente de um modo especial o amor a toda a criação, livre de dogmas, de caducas convenções sociais, de preconceitos cristalizadores, ele é um verdadeiro amigo de todos sejam quais forem as suas cores, os seus credos, os seus países.

Nele está tudo misturado, tal como na Unidade da Vida.

Por isso, quando tive a alegria e a honra de conhecê-lo, logo senti que estava perante um irmão cujo coração está cheio de amor e de compaixão.

Dizem que eu sou branco, mas não me sinto como tal, em mim também estão todos os povos e todas as cores; sucede o mesmo no meu querido amigo, ele é “ mestiço de corpo inteiro”, mas ele é Universal, e nunca o vi como mestiço, mas como um irmão do arco-íris.


28 de janeiro de 2013
Delmar Domingos de Carvalho


   
   

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

DELMAR MAIA GONÇALVES por LUÍS FERREIRA


DELMAR  MAIA GONÇALVES
Africano à descoberta e conquista   colectiva de novos territórios poéticos,DELMAR MAIA GONÇALVES vai buscar força e  coragem para mergulhar afoitamente nas bravias tempestades dos dias que vivemos.
Assim prepara a colheita com a semente poética para o futuro,na busca permanente de fraterna solidariedade.
Homem-Poeta que nasce sob o signo do  vulcão,que sente o calor abrasador,a incandescência da lava que tudo derrete e transforma até solidificar e cristalizar a sua linguagem criativa.
Que os deuses a existirem não sobrecarreguem de obstáculos a já difícil tarefa dos Poetas em construir Poesia.

LUÍS FERREIRA
(ARTISTA PLÁSTICO e POETA PORTUGUÊS)

Lisboa,2006.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

DELMAR MAIA GONÇALVES por ANA CASANOVA


 Delmar Maia Gonçalves por Ana Casanova
Dizer em breves palavras quem é Delmar Maia Gonçalves não se assume tarefa fácil.
Encontro neste Homem/Poeta Moçambicano, uma riqueza e força, que como amiga e poeta Angolana, com o mesmo amor comum a África e à Pátria, os mesmos ideais  e motivações,  me deixa levar pela emoção.
Delmar Maia Gonçalves é uma voz que se ergue na Diáspora, fazendo da Poesia o seu instrumento para defender tudo aquilo em que acredita.
Defensor da Liberdade e da Justiça, da Paz Mundial e da Lusofonia, de  Causas pelos Direitos Humanos que abraça com profunda convicção.
Um homem do Mundo que na Europa, luta pelo reconhecimento da sua Nação, Moçambique, e pelas conquistas do seu Povo.
Um Homem em permanente "viagem" mas com o objectivo de voltar à Terra-Mãe.
Arma só a sua Voz! Assumindo sempre o facto de ser "Um Mestiço de Corpo Inteiro", Faz-se ouvir e estou convicta  do papel determinante que tem nesta sociedade, atingindo os objectivos a que se propõe com o seu carácter determinado.
Moçambique é sem dúvida mais rico com Homens/Poetas como Delmar Maia Gonçalves!
Termino usando as suas palavras de Afirmação e Promessa: "Eu sou tu/Tu és eu/Não te esqueças/Moçambique/Voltarei!

Ana Casanova
Poeta Luso/Angolana

Revisitar a história de Timor-Leste


sábado, 18 de agosto de 2012

"DELMAR MAIA GONÇALVES n´A Curva do Rio-exemplos de literatura em diáspora"por FLÁVIA BA


Flávia Ba
Centro de Estudos Comparatistas – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Delmar Gonçalves n’A Curva do Rio – exemplos de literatura em diáspora




                                         
No momento actual o conceito de hibridez é amiúde celebrado sob a forma de festivais culturais ou eventos ligados às mais diversas manifestações artísticas. No entanto, urge repensar a condição também amiúde angustiante do entre-lugar, sobretudo dos indivíduos para os quais o cosmopolitismo, contrariamente ao que terá afirmado Ulf Hannerz no ensaio «Cosmopolitans and Locals in a World Culture» (1991), não constitui fruto de uma escolha pessoal mas antes objecto de circunstâncias pessoais e históricas muito específicas. Este é o ponto onde Delmar se encontra n’A Curva do Rio de V.S.Naipaul.

Como afirmou George Lamming (2000: 20) em Regreso al hogar, Conversaciones II:
la soberanía de una literatura  depende de la posesión del texto por toda la sociedad a través del más variado territorio de mediación. El texto tiene que hacerse familiar y cosa habitual de la conversatión cotidiana. Los libros solo siguen vivos cuando son comentados en una variedad de situaciones por personas que roconocen que el libro habla de ellos e pudo haber originado en ellos.

Depreende-se das palavras de Lamming que o escritor desempenha a função de mediador, possuindo a capacidade de transferir a sua vivência para as pessoas que com ele partilham um mundo diverso e divergente. É esta experiência de mediação que V.S.Naipaul e Delmar Gonçalves partilham com os seus leitores. Uma mediação orientada pela também comum vivência diaspórica e consequente experiência do entre-lugar.
Há uma ideia feita, mas em tudo errada, de que ser-se exilado é sinónimo de afastamento, isolamento, de separação desesperada do local de origem. Bom seria se essa separação delineada com uma precisão cirúrgica fosse verdadeira, porque então ao menos ter-se-ia o consolo de saber que o que ficou para trás é, de certa forma, impensável e completamente irrecuperável (Said, 1993: 52)

As palavras de Said ilustram outro ponto de contacto entre as narrativas pessoais de Naipaul A Curva do Rio (1979) e de Gonçalves Mestiço de Corpo Inteiro (2006). Ainda que pertencendo a diferentes enquadramentos formais literários, as narrativas destes autores desmentem a suposta  “precisão cirúrgica” de separação do lugar de origem, negação contida na vivência pessoal que transparece nas respectivas narrativas. Em 2001, o Nobel da Literatura V.S. Naipaul afirma o seguinte: “I will say I am the sum of my books. Each book intuitively sensed and, in the case of fiction, intuitively worked out, stands on what has gone before, and grows out of it”. A experiência de expatriação vivida por Salim em A Curva do Rio coincide com a vivência ambicronotópica de Naipaul que, nascido em Trinidad, aos dezoito anos se desloca para o Reino Unido e, à medida que os anos passam, se torna num viajante e revisitante do seu ponto de origem – as Caraíbas. É precisamente desta revisitação identitária que resulta, nas palavras do próprio Naipaul, o seu universo literário. Analogamente, Delmar Gonçalves nasce em Quelimane e desloca-se para Portugal onde partilha a dupla consciência espelhada em Mestiço de Corpo Inteiro: “O meu Eu/são vários Eus/por isso/não falo por mim” («O meu Eu», 2006:41);
Sou mestiço/De corpo inteiro./Sou mestiço/não porque/ser mestiço/é melhor que ser negro/ou porque é melhor que ser branco./Sou mestiço/porque sou mesmo mestiço,/porque resulto do negro e do branco/porque não posso jamais renegar/um pouco que seja dos meus glóbulos/sanguíneos negróides e caucasóides («Dança Ancestral da Alma», 1998: 29)

Ainda que substancialmente distintas no tratamento da questão do entre-lugar – do que poderá denominar-se de ambicronotopia[1] – A Curva do Rio e Mestiço de Corpo Inteiro contactam analogamente (1) na visão cosmopolita proporcionada pela experiência de expatriação dos respectivos autores civis; (2) na centralidade do espaço geográfico que  condiciona fortemente o questionamento identitário; (3) no papel charneira que Salim e o sujeito de Mestiço de Corpo Inteiro desempenham enquanto mediadores entre Europa e África. Neste terceiro ponto de contacto, enquanto em A Curva do Rio a representação cronotópica da Europa e de África é feita a partir de um permanente fluxo de contaminação histórica que imbrica espaços e tempos de forma angustiantemente nihilista, em Mestiço de Corpo Inteiro a “curva do rio” – encruzilhada por excelência – desemboca na assertividade identitária: “Tenho coração e alma/Negra/E a África/Dança em mim” (1998:21). Por outras palavras: Naipaul apresenta-nos em A Curva do Rio uma personagem que vive literal e identitariamente na curva do rio, enquanto Delmar nos apresenta o dilema da curva mestiça. O sujeito de Delmar encontra no caudal do rio um caminho que reafirma positiva e humanisticamente a sua condição; Salim permanece nessa encruzilhada e prossegue viagem; o sujeito de Delmar, ainda que na inevitável natureza  híbrida “Je suis un noir pour les blancs/Et blanc pour les noirs/Mais je suis métis” («L’énigme», 1997), apresenta uma visão construtiva e optimista de um Moçambique que  reclama como seu (cf. «Exercício sobre a Moçambicanidade», 2006; «Moçambique eternamente berço», 2001); já Salim descrê de forma assertivamente céptica numa sociedade, num país pós-colonial figurado no Zaire de Mobutu Sese Seko:
Alguns jornais falavam de fim do feudalismo, do alvorecer de uma nova era. Mas o que sucedera não tinha nada de novo. Determinadas pessoas haviam perdido o poder e tinham sido fisicamente destruídas. Isso em África não era novo; aliás era a mais velha das leis (A Curva do Rio, 45)

A condição de deslocação evocada em A Curva do Rio e em Mestiço de Corpo Inteiro  imprime a ambas as narrativas o que Edward Said, falando sobre o exílio e a expatriação,  caracteriza como fonte “não de aculturação e adaptação, mas antes de volatilidade e de instabilidade” (Said, 1993: 53). No caso da narrativa de Naipaul, Salim em África deseja a Europa e na oportunidade em que se desloca a Londres, rapidamente se ancora em pontos de remissão para a África que conhece. É nessa situação volátil e instável que Salim, no final da narrativa, dobra a curva do rio em nova viagem. Já o sujeito de Delmar, também instável (mas não volátil) na dupla consciência mestiça, anseia pelo regresso na curva do rio europeu onde se encontra: “Tu uma pérola no Índico/E eu/um viandante/Encalhado no Atlântico/(…)Como sempre:/Eu sou tu, tu és eu/Não te esqueças/Moçambique/Voltarei!” («Voltarei», 1995:54).  Embora as condições de exílio e de diáspora apresentem especificidades que as distinguem implicam, como traço comum,  uma fonte de instabilidade e volatilidade caracterizada por laços de lealdade para com os pontos de origem dos indivíduos e que poderão acicatar, da parte dos sujeitos em condição diaspórica, a assertividade de pertença identitária à motherland, o que parece ser o caso do sujeito de Delmar. Já o Salim de Naipaul, o sujeito diaspórico em trânsito na curva do rio, perde-se no fluxo do rio, sobretudo quando o expropriam dos seus bens em nome da nacionalização em curso – está claramente em lado nenhum o que imprime o carácter céptico à narrativa de Naipaul. Ao contrário do sujeito do poema «Voltarei» (1995), Salim poderá ser considerado uma projecção do “homeless cosmopolitan” em que Naipaul, segundo o seu biógrafo Bruce King, se tornou.
Na medida do que tem vindo a ser referido ao longo desta apresentação, A Curva do Rio e Mestiço de Corpo Inteiro constituem exemplos de literatura em diáspora. Tal como o próprio conceito de diáspora é viajante por  exigir um enquadramento histórico e social que especifique as diferentes situações em que o movimento diaspórico ocorre, da mesma forma as narrativas que ora se comparam são narrativas viajantes feitas por viajantes. Em A Curva do Rio, a viagem é melancólica perspectivando, nas palavras de Erica Jonhson em «'Provincializing Europe': The Postcolonial Urban Uncanny in V.S.Naipaul’s A Bend in the River» (2010), uma África onde a fraqueza, a vulnerabilidade, a ignorância e a arrogância são a dominante, fruto das impressões de viagem que Naipaul, em 1975, efectuou entre o Rio Congo e Kinshasa. Em Mestiço de Corpo Inteiro e no conto O Regresso Adiado de Malfez Razão Massamo (1996), os respectivos sujeito e protagonista assumem-se como viandantes na sua condição híbrida e viajantes em processo de retorno às suas origens. Por este motivo, e tal como afirmado pelo escritor Jorge Viegas no posfácio a Mestiço de Corpo Inteiro, “as pontes para ligarem as pessoas que, à partida habitam mundos diferentes, são sempre de carácter transitório” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006: 83). Assim, estas pontes de carácter transitório que também caracterizam os elos que se estabelecem entre as comunidades diaspóricas e os destinos de acolhimento tornam um Mestiço de Corpo Inteiro num indivíduo inalienavelmente dispórico nas suas origens. Ou, n’A Curva do Rio. É nessa esquina fluvial que Naipaul e Delmar poderão ser encontrados.

Gonçalves, Delmar (2006), Mestiço de Corpo Inteiro, Lisboa: Minerva
Naipaul, V.S. (1990), A Curva do Rio, Lisboa: D.Quixote
Naipaul, V.S. (2002), “Two Worlds”, in PMLA, 3, 479-486
Johnson, Erica (2010) “'Provincializing Europe': The Postcolonial Urban Uncanny in V.S.Naipaul’s A Bend in the River» in JNT: Journal of Narrative Theory, 40.2, 209-230
Lamming, George (2000), Regreso al hogar, Conversaciones II, St. Martin: House of Nehesi Publishers.
Said, Edward W. (1993), «Exílio Intelectual: Expatriados e Marginais» in Representações do Intelectual, As palestras de Reith de 1993, Lisboa, Edições Colibri.



[1] A narrativa de Naipaul problematiza a experiência de expatriação e o confronto entre dois mundos que Salim simultaneamente deseja e repudia enquanto que em Mestiço de Corpo Inteiro o sujeito é apresentado como a problemática da  hibridez física – a mestiçagem – enquanto condição identitária inalienável

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"E Eu sou Eu" - Poemas B3B

Poemas inspirados no poema do escritor Delmar Maia Gonçalves "E eu sou eu" - tributo dos Formandos EFA B3B, pela sua presença na nossa Apresentação Pública, de dia 27 de Junho 2011.

domingo, 14 de agosto de 2011

DMG(2)

Temas e Motivos Poéticos : Identidade;Busca de Identidade;Mestiçagem;Racismo;Colonialismo;Deus;Morte;Paz;Moçambique;Verdade;Mentira;Amor;Melancolia;Afectos;Denúncia;Erotismo;Mulher;Surrealismo;

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Delmar Maia Gonçalves

Delmar Maia Gonçalves viveu alguns meses em São Pedro do Estoril,quando chegou de Moçambique,proveniente de Quelimane,devido à chamada Guerra Civil desencadeada pela Renamo, com factores externos,depois de breve passagem por Maputo, com a mãe e os seus irmãos.Seu pai ficou ainda em Moçambique, em Quelimane na província da Zambézia,onde era proprietário de Serrações( em Nicoadala) e uma Loja de Ferragens(na sua Cidade capital ,Casa dos Parafusos).Mais tarde,mudaram-se para a Madorna,na Parede(onde ainda hoje moram a sua mãe,o seu pai,um irmão,uma irmã e uma sobrinha).Foi casado com a Artista Plástica portuguesa,natural de Oeiras/São Julião da Barra, Filipa da Silveira Cunha Modesto desde 14 de Agosto de 1998 .De quem se separou oficialmente em 2007,tendo obtido o Divórcio em 2009.
Dessa relação,nasceu em Cascais a sua filha Luna Delmar da Silveira Maia Gonçalves, em 27 de Outubro de 1998,de que obteve a custódia.
Vive desde então maritalmente na Madorna,Parede, com a Poetisa portuguesa ,natural de Viana do Castelo,Vera Novo Fornelos.Dessa relação, nasceu em Algés, o seu filho Dinis Delmar Fornelos Gonçalves, em 29 de Agosto de 2009 e Francisco Delmar Fornelos Gonçalves, em 6 de Dezembro de 2011.

DMG(1)

My Open Library:

Subjects:Peace,Nationalism, Religion,History,Love,Mozambique, FRELIMO,Poetry,Politics and Government,Travel,World Politics,Social Conditions,Elections,God,Portuguese Language,Women,Renamo,Family,Children,Sport and Diaries.


Places:Mozambique,Portugal,Lisbon,Parede,Quelimane,Maputo,Beira,England,London,Spain,Madrid,San Lorenzo de el Escorial,India,Bombay,New Delhi ,Chile,Malta,East Timor,Díli,Egypt,Cairo,USA,Washington,France,Paris,Japan,Tokyo,Israel and South Africa.


People:Delmar Maia Gonçalves.


Time:1962 to 2050.

sábado, 11 de junho de 2011

Delmar Maia Gonçalves

Delmar Maia Gonçalves nasceu em 5 de Julho de 1969 em Quelimane/Zambézia na República de Moçambique.Com formação no Instituto Superior de Educação e Ciências(I.S.E.C.),que funcionou na Rua Dona Estefânia e posteriormente nos Olivais, em História/Estudos Sociais/Língua Portuguesa e em Professores do Primeiro Ciclo do Ensino Básico.
Foi Bolseiro do Instituto Superior de Educação e Ciências(I.S.E.C.)/Opus Dei. Fez o Estágio Profissional no Colégio Planalto em Lisboa(uma nobre Instituição da Opus Dei) onde obteve a nota final de 14 valores e posteriormente realizou outro Estágio Profissional na Escola Básica Nº6 da Charneca do Lumiar em Lisboa onde obteve a nota de 16 valores.
Foi apresentado no Centro Cultural do Campo Grande(da Opus Dei),por recomendação do Doutor António Montiel um Pedagogo Espanhol.Fez formação Complementar no Instituto Piaget(Escola Superior de Educação Jean Piaget de Almada) em Animação Cultural de Escola,tendo realizado Estágio Profissional na Escola Básica do Dafundo/Algés.Em 1995 foi convidado a integrar o futuro Centro Experimental de Aprendizagem do Instituto Piaget ,que orientaria e acompanharia os Estágios Profissionais dos estudantes de Educação da Instituição.Projecto que acabaria por não se concretizar na altura,por falta de financiamentos.