sábado, 27 de março de 2010

Rápidas


Curiosidades:
Um País: Um País não,dois.Portugal,porque me tem ajudado a crescer como Homem a todos os níveis.E Moçambique,porque por lá nasci e estarei eternamente ligado ao meu berço.
Uma Cidade:Uma Cidade não,três.Lisboa,porque descubro nela todos os dias coisas novas e amo-a.Quelimane,porque por lá nasci e é uma Cidade pequena,bela e limpa ,em franca recuperação.E Londres porque é simplesmente fabulosa,limpa,com o património protegido e bem conservado.
Um Monumento:Há tantos,mas gosto particularmente do Mosteiro dos Jerónimos,do Convento de Cristo em Tomar e do Palácio Nacional de Mafra.No entanto,considero que a zona de Belém como um todo é um autêntico"Monumento"ainda que mal aproveitado e algo degradado.Urge recuperá-lo , alargá-lo e conservá-lo.
Uma Livraria:Olha,gosto particularmente da Livraria Bertrand porque é enorme e facilmente mergulhamos nos livros.Gostava muito da antiga Livraria Ler Devagar do Bairro Alto,era mais do que uma Livraria,um espaço cultural de excelência.Embora exista actualmente noutro local,não é a mesma coisa.
Uma Viagem:Uma viagem não,duas.À Londres e à San Lorenzo del Escorial em Espanha.Porque em cada uma delas fui descobrindo sempre coisas novas e belas nas viagens seguintes que para lá fiz.
Um Cinema:O antigo Cinema Águia em Quelimane.Tinha a magia que os actuais Cinemas não transmitem nem possuem.Nem sei explicar porquê.Na verdade,só encontro essa magia na Cinemateca de Lisboa ou no Cinema São Jorge também em Lisboa.São lugares únicos.E digo já que adoro ver as salas cheias.

Um Bar:Olha,o British Bar em Lisboa ou o Irish Bar também em Lisboa,ambos junto ao Cais do Sodré.Em Quelimane era o Snack Bar Côco,junto do Hotel Chuabo que eu adorava.
Um Café : O Nicola em Lisboa,que tem um ambiente fantástico,propício às tertúlias literárias e outras.

Um Sítio:San Lorenzo del Escorial em Espanha.Por lá estive duas vezes,numa Hospedaria(num antigo Convento)gerida por freiras e num Hotel. Respira-se paz.Uma paz que só encontramos em locais espirituais.
Um Teatro:Creio que em Lisboa o Politeama é o melhor que há.Será provavelmente a "Meca" do Teatro português.
Um Passeio:Passear pelo norte de Portugal de carro é fantástico. Tem paisagens e cenários lindos.Adoro passear particularmente pela Cidade de Viana do Castelo. E na Zambézia, um vasto território virgem com densa vegetação e um dos  maiores palmares do mundo.É um prazer percorrê-lo.
Um Restaurante:No El Torky Restaurante Egípcio do meu amigo Salah el Torky,que funciona no Saldanha em Lisboa junto ao Cine Estúdio 222.
Um Site:O meu,em que trabalho permanentemente para melhorá-lo e vê-lo crescer.Mais nenhum em especial,pois navego em vários na internet.
Uma Praia:Sempre adorei a Zalala em Quelimane.Em Portugal gosto das praias do Algarve porque são belíssimas e tem a água quente.
Um Museu:Adoro visitar museus.Já visitei tantos que me é diícil nomear apenas um.Mas posso nomear pelo menos três:o Museu de Arte Antiga em Lisboa,o Museu dos Coches também em Lisboa e o Museu de História Natural em Londres.
Um Clube:Um não, dois!O Sporting Clube de Portugal,que movimenta milhões de adeptos.E depois o verde,o branco,o amarelo e o preto são as cores que mais gosto e que mais me atraem.A mística deste clube sente-se,vive-se e ultrapassa fronteiras.É o verdadeiro rival do Sport Lisboa e Benfica.E o Sporting Clube de Quelimane ,que aprendi a amar ainda criança.

Ficha de Leitura para os Livros" Moçambique Novo,o Enigma" e "Labirinto de espelhos"


1)Escolhi-o porque me pareceu:
2)Espero encontrar nele:
3)Título:
4)Autor /Autores:
5)Ilustrador/Ilustradores:
6)Editora:
7)Data de Publicação:
8)Cidade/País:
9)Número de Edição:
10)Género:
10.1)Conto:
10.2)Poesia:
10.3)Crónica:
10.4)Histórico:
10.5)Mistério:
10.6)Romance:
10.7)Policial:
10.8)Ficção Científica:
10.9)Científico:
10.10)Banda Desenhada:
10.11)Outro:
10.12)Qual?


Análise da Obra:
Localização do Enredo:
Tempo:
Espaço:
Número de Capítulos se tiver:
Títulos dos Capítulos se tiver:

Personagens Principais:
Personagens Secundárias:
Personagem preferida e razão da escolha:
Temas do Livro:

Comentário à Obra:
Gostei mais de:
Porque:

Não gostei de:
Porque:

Resumo do Livro:
Introdução:
Desenvolvimento:
Conclusão:
A Principal Mensagem deste Livro é:
A Principal Mensagem desta história é:
A Principal Mensagem do meu poema preferido é:
O que pensas do Autor?

Iniciei a leitura do Livro em:
Terminei a leitura do Livro em:


Assinatura:

terça-feira, 23 de março de 2010

Propostas de trabalho criativo do Autor

Propostas de trabalho criativo do Autor:

Castelo de Histórias:

O Edmar e a montra de brinquedos da loja franca

1)O Edmar tinha seis anos.Vivia numa cidade chamada Maputo com os seus pais.
2)Ao fim da tarde o Edmar saiu de casa e desceu a Avenida 24 de Julho,para ver a montra que lhe punha o coração aos pulos;a montra da Loja Franca.
3)Durante a noite, o Edmar adormeceu e sonhou com o comboio eléctrico que lhe fazia sonhar com Paris,Londres,Nova Iorque,Madrid,Lisboa,Atenas e Bruxelas.
4)No dia seguinte,ele acordou como habitualmente,para apregoar os jornais,quase do seu tamanho,que vendia na Praça Central dos trabalhadores;para ganhar umas gorjetas que não chegavam para comprar o mais barato carrinho de plástico!
E era assim o seu quotidiano.



Agora conta tu uma História sobre um menino ou uma menina muito esperto/a,bom/boa,trabalhador/trabalhadora e valente:

Propostas de trabalho criativo do Autor

Proposta de trabalho do Autor
Atelier de Escrita:
Castelo de Histórias
Regista tudo o que te saiu para não te esqueceres:

Assim começa a minha história:

O Herói:
A Heroína:

Um lugar onde vive o Herói:

Um lugar onde vive a Heroína:

Uma missão:

Um lugar onde se vai cumprir a missão:
Os que maus vão atrapalhar:
As más que vão atrapalhar:
Os bons que vão ajudar:
As boas que vão ajudar:
Os bons dão qualquer coisa para ajudar o Herói:
As boas dão qualquer coisa para ajudar a Heroína:

E para acabar pode ser assim:


Agora sê criativo e escreve a tua História:

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ficha de Leitura para o livro "Mestiço de Corpo Inteiro"


1) Qual é a mensagem transversal de toda a obra?

2) Há uma fusão da obra com o autor. Será este um livro autobiográfico? Porquê?

3) De que forma acontece essa fusão?

4) Estará esta obra limitada no espaço e no tempo ou atravessa fronteiras?

5) O que pensas do racismo? É um fenómeno circunscrito ou global?

6) Como achas que devemos combater este fenómeno?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A inserção das comunidades africanas em Portugal

LATITUDES
Sobre este programa:

A inserção das comunidades africanas em Portugal

rtp áfrica > 30-09-2008 21:00 Episodio 1 - Emissão de 30.09.2008

Neste Programa:

Esta semana o Latitudes será inteiramente dedicado à Literatura Africana.
Os rituais das contadoras de estórias à volta das fogueiras mesclam-se com a língua portuguesa e com as tendências literárias de origem europeia que, em pleno colonialismo, chegam ao continente quente. É neste jogo entre um passado de tradição oral e a vontade de construir um futuro livre, para lá do conflito e da destruição, que emerge a Literatura Africana de Língua Portuguesa.
Neste Latitudes começamos por lhe mostrar a obra intercultural de Augusto Carlos. O seu último livro, “Mar Imenso”, serve de mote para uma conversa com o autor.
Em estúdio, uma convidada muito especial para nos dar a conhecer um pouco da sua obra no contexto da Literatura Angolana. Nascida no Lubango, Huíla, Ana Paula Tavares cedo despertou para a poesia. Através do seu universo lírico, o leitor é levado para um universo em que o regresso às origens da tradição oral é uma constante. A figura da mulher africana estará também em destaque na conversa com a poetisa. Fique assim a conhecer a obra poética de Ana Paula Tavares.
Mas o Latitudes traz-lhe mais Literatura de origem Africana. Exploramos também a obra de Delmar Maia Gonçalves, onde a palavra mestiça desempenha o papel principal.
Para terminar, vamos conhecer a obra de Liliana Lourenço, uma jovem ilustradora de raízes moçambicanas.

Do conto à poesia, passando pela envolvência do romance, aceite o convite do Latitudes para descobrir a Literatura Africana.
No ar fica ainda o apelo à sua participação neste seu programa. Faça-nos chegar os seus comentários e sugestões e ajude-nos também a divulgar Missões que se dedicam à Ajuda humanitária em África.


+ info:

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Um programa dirigido às comunidades africanas inseridas na sociedade portuguesa. As mensagens veículadas deverão conduzir à integração e, ao mesmo tempo, dar a conhecer a cultura, a língua, a música e a gastronomia, prestando igualmente alguns esclarecimentos jurídicos em algumas das línguas que os africanos falam em Portugal.


Do programa constam entrevistas com alguns dos principais intelectuais africanos residentes em Portugal, reportagens sobre casos de sucesso em todas as áreas de actividade económica, social e política, organização social, cultural, associações, clubes desportivos, etc. É igualmente retomada a tradição oral dos velhos contadores de histórias.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Entrevista no Sapo Notícias

2010: Aposta na literatura
31 de Dezembro de 2009, 16:23


O professor e escritor moçambicano, Delmar Maia Gonçalves, em 2010, apostará sobretudo em projectos de desenvolvimento cultural.


Activista cultural, é membro fundador do Centro Cultural Luso Moçambicano; membro fundador do Espaço Rui de Noronha – Associação; membro do Instituto Paulo Freire de Portugal; da Associação de professores de Português; membro fundador do Movimento Jovem Moçambicano de Intervenção Cultural em Portugal e membro fundador da AIDGLOBAL-ONGD.


Delmar Maia Gonçalves acredita que a base e o veículo do desenvolvimento cultural se encontra na literatura, uma vez que o futuro dos países lusófonos passa pela cooperação de todos.


O escritor nasceu em Quelimane, no dia 5 de Julho de 1969. Em Quelimane, foi membro activo da Organização da Juventude Moçambicana (O.J.M.) e dirigente estudantil.


Actualmente, reside em Portugal e está representado em várias antologias nacionais e internacionais. É colaborador de vários jornais e revistas. É embaixador da paz na organização internacional The Interreligious and Internacional Federation for World Peace.


Ana Oliveira

SAPO MZ





segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Moçambiquizando


Pelo Mil Folhas (edição de 06/06/06), suplemento do Público, soube da publicação de Moçambiquizando, um livro de poemas de Delmar Maia Gonçalves.

O livro terá sido apresentado ontem (06/05/11, pelas 18.30 horas) na FNAC do Chiado, em Lisboa, por Guilherme de Melo e Jorge Viegas.

Não conheço o autor e o livro ainda não apareceu nos expositores da Bertrand, em Santarém – que, por razões de proximidade, é a livraria que mais frequento. Mas sei quem são o Guilherme de Melo e o Jorge Viegas.

Para a generalidade dos militares que prestaram serviço em Moçambique, Guilherme de Melo é (será) sobretudo o responsável pelo suplemento “Coluna em Marcha”, do Notícias, de Lourenço Marques. Jorge Viegas, nascido e crescido na Zambézia, autor de “O Núcleo Tenaz”, será um desconhecido.

Se o autor (e o Mia Couto) me perdoar a ousadia, é assim que se moçambiquisa: moçambiquizando…

Sem Camuflado
In Blogue "Nós, do Comando"
http://comando-de-agrupamento.blogspot.com/2006/05/moambiquizando.html

Per il Mozambico si potrebbe segnalare anche il poeta Delmar Maia Gonçalves che affronta anche la problematica del meticciato. La sua ultima opera si intitola Moçambiquizando.


Un saluto
Piero


In Blogue "Precario"
http://dottora-bayard.splinder.com/

Correndo os olhos (estou sentado a olhar para eles)… que mais? sei que alguns Fernando Grade e que não conhecia, uns comprados e outros oferecidos pelo barbudo mais famoso de Portugal, poesia em capa própria e nos eternos ‘Viola Delta’, mais uma recolha de crónicas dos tempos do jornal ‘Record’; também li amigos e outros amigos-ainda-desconhecidos que entraram no nº 3 dos Cadernos Moçambicanos Manguana, onde eu também juntei umas coisas; dum deles, do Delmar Maia Gonçalves, refiro além da tal edição colectiva o seu ‘livro de mangusso’, Afrozambeziando Ninfas e Deusas, e para a semana lança outro, ele não pára!

In Blogue "O Vazio"
http://nunaweb.blogspot.com

Carlos Gil (Escritor Luso-Moçambicano)

domingo, 15 de novembro de 2009

Labirinto de Espelhos - Estudo da Obra

A obra publicada em livro (20 autores) causou-me uma bela impressão.
Pode-se dizer que esta obra, labirinto de espelhos nos dá uma mostra da mais nova poesia portuguesa numa amostragem. A tradição e a modernidade se fundem e nos oferecem diferentes
visões de imagens, visões de vida e sobre a literatura através de autores com diversas tendências e de diferentes gerações.
Jovens poetas, poetas maduros possuindo um domínio total de seu instrumento seja em contos seja em poesias, que desafiam concepções platônicas e aristotélicas de se ver a arte, um verdadeiro habemus spirita capaces e sendo o suficiente para que me debruçasse com prazer em ler esta obra.
Aqui, ao meu juízo expresso alguns autores que integram o livro e nos quais me agradaram integralmente com suas composições:


DELMAR MAIA GONÇALVES
PEDRO FERREIRA
LUIS TELÉSFORO
MARIA DOLORES PITEIRA
ISABEL ROMANO COLAÇO
ISABEL VALENTINO
IRONDINA VIEGAS
JOSÉ BRANQUINHO
PEDRO LOPES
DAVID SANTOS


Os demais autores não citados aqui também possuem obras com valor literário e com distinção, porém não atingem nas suas obras expostas uma regularidade tão monolítica que os acima citados.
Sobre os autores que citei acima posso falar um pouco sobre alguns; Delmar Maia  Gonçalves é um autor que
integra a seção dos contos da referida obra põe grande maestria nas palavras. Escreve na temática africanista com muita imagem, colorido e enredo, um grande sabedor da realidade africana, porém porque pertenceu a essa realidade.
Pedro Ferreira, autor jovem, com poemas modernos bem modulados e profundos em que o último poema dele causou-me uma grande impressão literária. Luís Telésforo, com a clássica forma do soneto e tradicionalíssimo na forma, singular em expressão a perpassar vibrações fortes no seu acorde poético.
Maria Dolores Piteira, Isabel (Colaço), Isabel Valentino e Irondina Viegas forma um quarteto indispensável no livro. Com poemas de grande subjetividade em poemas de intensa sugestão, o eu-lírico é cantado com louvor formam o ponto alto da obra, tais obras lembram um quarteto significativo do luso-poemas (Vanda Povoa, Rosa Maria Anselmo, e as brasileiras Ângela Lugo e Edileia Silva Santos).
No remate, outros três expressivos autores. José Branquinho, perfeito no soneto e a passar muito talento verbo-emocional (equivalente a grandes sonetistas do luso-poemas) , Pedro Lopes, numa feliz escola de poemas para publicação (todos bons), peças escolhidas de seus livros Plenitude do sentir e Reminiscência de infinito sentir) e finalizando com o notável autor David Santos forma essa lista, que ao meu ver faz valer a pena ter na biblioteca essa singular obra.


Muito obrigado pela atenção dispensada.


Cordiais saudações a todos
Claudio Godi.
In "Coluna de Godi" www.luso-poemas.com

domingo, 25 de outubro de 2009

Moçambiquizando… Logo eu?


Em Moçambique entra-se pelo Índico… disse-me há dias um homem de olhos cor de pátria antiga, percorrido por pérolas de vegetação nas palavras sérias…
Eu disse-lhe, assim calado como um pássaro sentado aos pés de uma pedra, que costumo entrar pelo ar dentro das pessoas, indo com elas em barcaças frágeis, digo que isso são afectos ou talvez quem sabe é apenas uma arte, a de respirar?... Entrei em Moçambique disse eu com o meu ar de pedra aos pés de uma ave, pelos olhos do Delmar, o poeta, aquele que ali está, Kanimambo vida que mo trouxe aos meus sentidos…
Eu que já estive em África, que tenho uma irmã que nasceu em África, sei tão pouco, nada de África… O que sei de Moçambique? Que me disseram para nele entrar pelo Índico e eu estou nele pelo sentir, que tem uma das campanhas mais bonitas de que já ouvi falar, aquela de transformar armas em enxadas (ai quem me dera que no meu país as armas não estivessem apontadas e as enxadas dessem o pão e o pão dos poemas fosse a nossa enxada, a nossa arma…).
E de repente, aqui me põe, as nuvens à cabeça, escrevendo sobre um livro que tem África no sangue brando… Depois, descubro com facilidade: isto tem a ver comigo… A poesia é mestiça, pois não há palavra negra nem vocábulo branco, nem se faz de cores primárias as palavras almas dos poetas… Depois há esta doçura de falar poetizando, no poetiz Delmar – o mesmo que quando me fala parece dizer: olha que tenho medo de dar um grito abafado - ; e ao mesmo tempo, há uma estonteante e sábia crítica, uma agressividade que nunca comete agressão, uma exaltação que nunca é raiva, uma apreciação que é mais discernimento, uma pátria a bulir por dentro que não contém uma só fronteira…
A poesia é mestiça, irmã! Vê bem o que é isto, irmão, olha o poema que é de cor em cor! Não quero falar do livro, lá dentro o livro que nos ficará cá dentro, sou como os makondes que sabem que sabem que havendo uma aura de mistério e segredo rodeando a preparação das máscaras e a dança propriamente dita, sendo por exemplo importante que não se saiba a identidade do dançarino, todos querem ficar para descobrir. Oxalá que sejam muitos os que querem ficar nestes poemas, com estes poemas. E que fique eu calado como um pássaro sentado aos pés de uma pedra, a entrar pelo ar dentro das pessoas, para que seja o poemas a ouvir-se e não o amigo que aqui o apresenta…


Prefácio do livro Moçambiquizando, Editorial Minerva, Lisboa, Março de 2006.
Alexandre Honrado
(Escritor e Historiador Português)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sinopse Biobibliográfica - Leituras em Diagonal

1. Uma das formas de caracterizar o Delmar seria a de apelidá-lo de adido cultural itinerante do seu país natal, Moçambique. Porque ele, para além do que escreve, é um divulgador extremamente operativo da poesia moçambicana (e não só) em livrarias e noutros espaços culturais de Lisboa, como declamador.
O Delmar tem o hábito de datar os seus poemas e neles apor a indicação expressa da localidade onde foram escritos. Os poemas que estão a ser compulsados por mim foram todos escritos em Portugal nos lugares de Lisboa, Parede, Monte Estoril, Algés, Paço de Arcos, com excepção de um, o qual tem a indicação da cidade de Maputo.
Nalguns dos poemas, que eu entendo ser os menos conseguidos, o autor funciona como o eco da ideologia veiculada pelos comissários políticos da revolução que ocorreu no seu país: "Na minha pátria/ não há pretos nem brancos, / há moçambicanos! / Na minha pátria / não há mulatos nem monhés/ há moçambicanos!/ E moçambicano/ é aquele que / sente o pulsar da / pátria/ Moçambicano / é aquele que a vive."
Mas a poesia do Delmar evoluí qualitativamente quando ele sonha com o passado da sua terra e das suas gentes, cuja memória está terrivelmente marcada por um sofrimento que excede o imaginável, e parece pesar de forma asfixiante sobre o futuro: "Estava sonhando um sonho triste / dormindo em minha cama. / Via os ancestrais/ gritando levados da imensa África/ Via os ancestrais / chorando feitos escravos. / Via os ancestrais / chorando familiares separados. / Via os ancestrais / chorando futuro incerto."

2. Conturbado pelas grandes angústias e pelos grandes medos que se abateram sobre os seus antepassados o poeta abandona o casulo da sua singularidade subjectiva e assume-se como sendo a voz inadiável daqueles a quem em vida foi negado o direito de ser e de dizer: "Não sou mais eu/ quem grita de raiva por todas aquelas injustiças cometidas/ no passado." - "Não sou mais eu / quem chora os exílios forçados no presente." - "Sou apenas e só um porta-voz involuntário/ de uma situação que se gerou."
E a incerteza do futuro tem uma das suas raízes na presença ou na ausência de algumas aves de taciturno aspecto: "Mau agoiro/ aquele que/ os Corvos/ trazem com a sua/ anunciada presença./ Bom agoiro/ aquele em que/ se anuncia a ausência dos Corvos." o que escapa ao nosso entendimento são as razões que levaram o poeta a escrever corvos com maiúscula.
Dois dos poemas do Delmar, sob os títulos de "Vida morreu em Nicoadala" e "O rosto da morte em Namacurra" encontram-se ligados por dois pontos comuns.
O primeiro deve-se ao facto de as localidades de Namacurra e Nicoadala se situarem a escassa distância no interior da província da Zambézia, província esta donde o Delmar é originário.
O segundo ponto comum é que os poemas têm como tema a morte, mas sem a presença efectiva dos que morreram: "O dia está calmo. Nem chove, nem chuvisca. / Está sol, / um sol que queima. / Os campos estão secos, / o capim é dono da terra./ Não se vislumbram homens, / nem pássaros, nem frutos./ Não se vislumbra vida. /Reina o silêncio, / um silêncio de morte. / Em Nicoadala / o tempo parou/ e a vida morreu." E não é só a natureza e a suas obras que morreram. Também as máquinas criadas pelo homem sossobram irremedialvelmente: "Em Namacurra um avião/ que não tinha asas/ e um carro sem rodas. / Ambos tentaram / sobreviver./ Mas em vão!/ Abraçaram/ a morte/ infalivelmente."
Falar, sem alarde, da morte das cousas naturais e das máquinas, é um artifício pelo qual o autor nos alerta para a morte massiva dos homens, mulheres e crianças, ao mesmo tempo joguetes e vítimas inocentes dos interesses obscuros dos que entendem ser os amos da terra.
Num outro poema, e como que à maneira de Martin Luther King, o poeta sonha com desígnios de Deus, independentemente das divisões que se albergam no mais fundo do coração do homem: "Tive um sonho/ em que o Muçulmano, / rezava com o Católico,/ o Sikh com o Muçulmano" - "o Católico com o Judeu, /e todas juntos com Deus."
Tendo em conta a minha condição de pessimista inveterado julgo que "O futuro que não chegou" sonhado nesse poema do Delmar nunca chegará. O ecumenismo será sempre um ideal a atingir, mas dificilmente sairá do campo das boas intenções, porque serão sempre poucos os homens capazes de se libertarem dos seus códigos interiores no sentido de tolerarem os dos outros.

3. Confrangido pelo desacerto das relações humanas o poeta idealiza a possibilidade de conversar muito terra-a-terra com Nosso Senhor Jesus Cristo, e apresentar-Lhe algumas perguntas para as quais não encontra resposta:"Perguntarei ao "Cristo"/ porque será que/ sendo judeu, / o amam tanto, /odiando os outros judeus, Perguntarei ao Cristo/ porque odeiam tanto / o homem negro,/ os homens do norte." Perguntas estas que não teriam razão de ser caso os homens tivessem interiorizado as virtudes da humildade, do amor e da compaixão exaltadas na mensagem de Jesus Cristo.
Moçambicano na diáspora o Delmar transporta amorosamente na sua memória as imagens de um tempo africano, "Em sonhos nostálgicos/ revejo mofanas e adultos/ semi-nus e descalços percorrendo/ a Zalala", e essas imagens são tão fortes e imprevistas que fazem parte integrante do seu ser:"Moçambique/ tu danças em mim/ e eu em ti./ Não te esqueças/ Moçambique:/ eu sou tu/ e tu és eu!".
São ainda de referir as poesias que têm como temas ciclos históricos já encerrados. A primeira intitulada de "Lembrar Timor", rememora o morticínio do povo timorense na sua luta pela liberdade: " Terra de esperança/ chamada desespero./ Terra mártir/ de povo humilhado."
A segunda evoca Samora Machel, a figura central e emblemática da revolução moçambicana, e primeiro presidente do país: "O rosto/ uma expressão viva de esperança./ As mãos/ sinónimo de vitalidade. / O corpo / sinónimo de espontaneidade. / A voz / um ecoar de vozes adormecidas." Os versos relativos às mãos de Samora condizem com a opinião do jornalista Carlos Cardoso que sobre as mesmas escreveu: "As suas mãos nunca paravam. Ficavam gravadas nas mentes das pessoas através dos contacto pessoal, das fotografias nos jornais, em filmes, e através de reuniões e comícios".

In Antologia "Inquietação", Editorial Minerva, Lisboa, 2006.
Jorge Viegas
(Poeta e Escritor Moçambicano)
Quinta do Conde, 2006.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

À Guisa de apresentação

Os textos de Delmar Gonçalves, presentes nesta antologia ("Verbum" da Editorial Minerva), deixam ver alguém preocupado com o seu semelhante, com as injustiças deste mundo que é o nosso, com o sofrimento dos irmãos, sejam eles quem forem, estejam eles em que hemisfério estiverem.
A solidariedade com o povo que sofre(u) os horrores de uma luta pela sobrevivência, pela integridade, pela independência e pelo direito a existir enquanto nação-mátria, fazem-nos reconhecer que, estejamos em que latitude estivermos, poderemos ser sempre um elo de ligação, um ancoradouro, uma ilha de tranquilidade.
Delmar revela, de uma forma pensada/sentida, frontal e emocionada, o dilema de alguém que busca a sua identidade, que sofre a dicotomia do negro e do branco, de alguém que tenta aproximar-se de um dos pólos mas que se sente rejeitado e/ou inconformado.
Nem sempre as escolhas são fáceis, nem sempre são aquelas que parecem mais coerentes, mas, muitas vezes, são as possíveis, fruto de uma série de contingências e circunstâncias. Delmar adia o seu regresso a Moçambique, porque outras amarras o sustêm, outras "terras" o acolheram e prenderam.
Apesar de em cada dia sonhar com o regresso, este vai sendo empurrado ad eternum.
Com os seus textos, Delmar faz-nos (re)pensar a nossa própria existência, os nossos valores, as nossas prioridades, com uma linguagem simples (como ele próprio), mas muito emotiva; consegue transmitir vivências diferentes, despertar sentimentos (às vezes adormecidos), colorir os nossos espaços, dar sentido a (alguns) nossos pensamentos.



In Antologia "Verbum" - Editorial Minerva, Lisboa, 2004.
Paula Ferraz
(Professora de Língua Portuguesa)
Paço de Arcos, Fevereiro 2004.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

E tu és tu.
A união perfeita
Entre dois Povos.
E tu és tu.
O equilíbrio perfeito
Entre duas Culturas.
Adorei este livro ("Mestiço de Corpo Inteiro") e a forma como o autor conseguiu transpôr os seus ideais para a poesia, desmascarando um conflito silencioso através de um original grito contestatário.
Vera Novo Fornelos
(Poetisa e Artista Plástica)
Viana do Castelo, 14 de Agosto de 2007.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Para o sobrinho DelmarGonçalves, o poeta da casa.

Quem me dera
Quem me dera
Poder ser eu pessoalmente
A colocar no teu braço este presente
Os mares e a distância, que nos
Separaram na tua infância
Deverão ser um marco sólido
Para fortificar a nossa amizade.

Saudades,

Stella Azevedo
(Tia do Autor)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Moçambique Novo, O Enigma

Há dias tive o prazer de receber das mãos do próprio autor, Delmar Maia Gonçalves, este livro de poemas* que canta os seus problemas pessoais sem esquecer a sua principal raiz: Ser um Homem de Moçambique.
E nesta colectânea de poemas seus uma vertente é fortemente abordada: a questão da mesticidade.
Tudo isto vem ao sabor de uma questão que se levantou no último artigo que escrevi para o Angonotícias: a da angolanidade e quem é ou pode clamar de Angolano.
Por causa disso tomo a liberdade de "roubar" um dos poemas de Delmar Gonçalves sob o título "Mestiçagem".

Eugénio Almeida
(Escritor, Académico e Investigador Angolano)
In pululu.blogspot.com
Lisboa, 17 de Outubro de 2005

domingo, 13 de setembro de 2009

É Preciso Plantar

É preciso plantar
mamã
é preciso plantar

é preciso plantar
nas estrelas
e sobre o mar

nos teus pés nus
e pelos caminhos

é preciso plantar

nas esperanças proibidas
e sobre as nossas mãos abertas

na noite presente
e no futuro a criar

por toda a parte
mamã
é preciso plantar
(...)


Um abraço amigo e que juntos continuemos a obra da construção de um futuro popular.
A Luta Continua!


Marcelino dos Santos
(Antigo Presidente da Assembleia Nacional Popular de Moçambique, Fundador da Frelimo e Poeta)
Lisboa, 28 de Julho de 2007.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Discurso Integral de Lívio de Morais

Discurso Integral de Lívio de Morais na apresentação do livro "Moçambique Novo, o Enigma" , no Palácio Galveias

Permitam-me que tome a palavra "Ex-professo" (como quem conhece a fundo a questão), na qualidade de privilegiado que sou:

1º Porque Delmar e eu próprio, somos naturais da mesma província de Moçambique, a Zambézia.

2º Delmar Maia Gonçalves é meu afilhado muito amado.

3º Esta publicação tem o apoio simbólico do Centro Cultural Luso-Moçambicano, de que sou fundador, e que Delmar Maia Gonçalves é membro fundador desde o 1º dia.

Apresento-me aqui, expressamente convidado pelo autor como autor da imagem da capa deste livro. Também creio que o Delmar convidou-me para estar nesta mesa, pela experiência de eu ter editado três livros e, na qualidade de presidente duma associação moçambicana, o Centro Cultural Luso-Moçambicano que apoiou o livro.

Epicuro disse: " Ex nhilo nihil" ou seja, de nada, nada, precisamente o que um dia disse Lavoisier: Nada se perde, tudo se transforma na natureza.

De facto, criador absoluto é unicamente Deus, e toda a criatura transforma esse manancial do universo criado.

Esta obra de Delmar Maia Gonçalves, faz parte desse universo recriado, fruto da imaginação criadora.

A obra: Moçambique Novo: O Enigma, não passa pela afirmação de Tertuliano que disse "Credo, quia absurdo" ou seja, acredito porque é absurdo.

De facto, Delmar Maia Gonçalves corajosamente afirma "sponta sua", isto é, por iniciativa própria, Moçambique Novo, O Enigma, porque de facto a África é um enigma com os seus mitos e ritos ancestrais que o Ocidente não foi capaz de decifrar em 500 anos de domínio.

Por isso mesmo a escritora Noémia de Sousa continua a dizer:
"Se me quiseres conhecer,
Estuda com olhos de ver
Esse pedaço de pau-preto
Que um desconhecido irmão maconde
De mãos inspiradas
Talhou e trabalhou
Em terras distantes lá no Norte.

Ah, essa sou eu..."

Esta obra poética de Delmar Maia Gonçalves, é também esse pedaço de pau preto.

Ler estes poemas, é aceitar o convite para conhecer Moçambique Novo caracterizado de toda a carga de consequências do tempo colonial e dos trinta anos de independência que estamos a celebrar neste mês de Junho.

"A vol d'oiseau" (a voo de pássaro ou muito por alto), dir-se-ia Moçambique Novo é realmente novo, porque é independente: Pedra a Pedra vai construindo o novo dia, graças a milhões de braços concentrados numa só força, gritando: nenhum tirano nos irá escravizar.

Esta obra poética foi fruto de audácia do autor, no dizer de Virgílio em Eneida X, 284: "audaces fortuna juvat".

Com efeito, Delmar Maia Gonçalves colhe os frutos maduros da sua audácia de tal forma que a dois dias do glorioso dia do 30º aniversário da Independência de Moçambique lança a sua obra.

E, se considerarmos a situação de Delmar como jovem de 36 anos, no ensino, não ignoramos todas as dificuldades e circunstâncias da gestação desta publicação, ou seja, o quis (quem), quid (quê), ubi (onde), quibus auxilium (por que meios), cur (porque), comodo (como) e quando (quando)."

Também importa recuarmos no tempo até 5 de Julho de 1969, e tentarmos associar esta data com curiosas circunstâncias.

Em 1969 foi Prémio Nobel da Literatura o Poeta, Romancista e Dramaturgo Irlandês, Samuel Beckett (1906-1989), pai do teatro do absurdo, autor da peça "En Attendant Godot" (À Espera de Godot). Escritor com estilo de ironia amarga: foca contraste entre a esperança e a realidade.

Em 1969 a 7 de Julho, dá-se a catástrofe do Biafra com milhões de vítimas.

Em 1969 a 9 de Julho, Ernesto Che Guevara é preso e abatido.

Em 1969 a 3 de Dezembro, Dr. Christian Barnard efectua na Cidade do Cabo o 1º transplante cardíaco num humano.

Queiramos ou não 1969, internacionalmente é um marco que parece não estar despercebido por Delmar Maia Gonçalves, como ano natalício.

Finalmente, vou fazer especial referência aos poemas: mas queria lamentar o facto de só esta semana ser possível conhecer o extracto do livro.

Foram-me entregues 16 fotocópias com poemas do livro, logicamente não posso e nem devo fazer uma crítica do livro como desejava.

De qualquer forma, tive a capacidade de entre as 16 fotocópias seleccionar 3 poemas, que passo a comentar:

1- Em NÃO SOU MAIS EU... poema de 2003, o autor como que João Baptista a pregar no deserto identifica-se porta-voz involuntário de uma situação que se gerou e acusa: "injustiças cometidas no passado, perdas ancestrais e pequenas vitórias alcançadas na vida." O autor não identifica o responsável, nem se identifica como sendo o acusador, apenas, diz:"Não sou mais eu..."

A título comparativo reportemo-nos a obra de Fernando Pessoa, e encontramos em "Eu Fragmento" a mesma atitude de enigma:

"Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi, nem achei.

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade
Não sei com que sinceridade falo.

Meu Deus, meu Deus, a quem assisto?
Quantos sou? Quem é eu?
O que é este intervalo
Entre mim e mim?"

2 - Em URGÊNCIA DAS PAZ PERPÉTUA, poema de 1988, o autor assume a filosofia espiritual de São Francisco de Assis, como mensageiro da harmonia, paz e concórdia.

3 - Em SONHO DE UM FUTURO QUE NÃO CHEGOU de 2001, o autor parafraseando o discurso de 28 de Agosto de 1963 proferido por Martin Luther King, Prémio Nobel da Paz: "I have a dream...", Delmar Maia Gonçalves, também revela-nos o seu universo irreal. Um sonho enigmático como Moçambique Novo:

"...

Tive um sonho
Em que os homens
Eram eleitos
Pelo seu valor e integridade.

Tive um sonho
Em que os desertos
Se tornaram férteis
Repletos de oásis.

Tive um sonho em que a realidade
De hoje se tornou
Um horror
E a utopia do futuro
Se tornou realidade.

Tive um sonho
Em que as fronteiras
Humanas
Se transformaram
Em infinitos rios
De arco-iris sem igual".

Mestre Lívio de Morais
(Artista Plástico e Professor de História de Arte)
Palácio Galveias/Lisboa, 23 de Junho de 2005.

Novo Encontro com Delmar



Amigos da poesia, dos livros e do Delmar Gonçalves reuniram-se na Livraria Mabooki (Lisboa) para conhecer o recente trabalho deste jovem autor moçambicano.
Von Trina, em representação da Editora, falou do livro enquanto produto, mas produto editorial e produto poético.
Jorge Viegas, Isabel carreira, Filipa e Von Trina leram alguns poemas para que o público pudesse encontrar-se com as palavras e as musicalidades.
No final, o autor falou de si e das motivações que o conduziram a juntar os seus poemas e a publica-los agora e sob o título “Moçambique Novo, o Enigma”.
Paula Ferraz, que prefaciou o livro, fez a apresentação:
“Caros Amigos,
Numa primeira leitura, uma leitura mais superficial, os poemas do Delmar podem considerar-se como meros exercícios poéticos sobre situações, circunstâncias ou factos vividos ou testemunhados pelo próprio.
Todavia, quando numa atitude mais atenta, nos concentramos neste livro, percebemos que a linguagem simples, visual, plasticizante, nos transporta para dramas, não (só) pessoais, mas acima de tudo, de todos nós. Porque como diz Mia Couto, “o mais importante não é o conteúdo literário, mas a forma como ele nos comove e ensina a entender não através do raciocínio, mas do sentimento”.
Num mundo global e globalizante, cada vez mais, cada um de nós se preocupa com o seu próprio umbigo, embora esteja sempre na primeira fila para apoiar campanhas de solidariedade, projectos de paz, campanhas de defesa dos Direito Humanos, etc., etc. No entanto, essas situações passam também e , dão, por vezes, lugar a outros sentimentos menos nobres.
Num dos recentes livros de Mia Couto pode ler-se “a poesia é um outro modo de pensar que está para além da lógica que a escola e o mundo moderno nos ensinam. É uma outra janela que se abre para estrearmos outro olhar sobre as coisas e as criaturas. Sem a arrogância de as tentarmos entender. Apenas com a ilusória tentativa de nos tornarmos irmãos do Universo”.
Nos poemas de Delmar, percebemos o quanto ele se preocupa com os outros, sejam seus irmãos de Moçambique, de Cabinda ou de Timor, da Palestina ou do Tibete, de Israel ou do Congo, da Serra Leoa ou do Afeganistão, da Colômbia ou do Iraque, da Libéria ou do Uganda, sejam as crianças, os heróis ou os amigos, mais ou menos anónimos.
Quando alguém nasce num país como Moçambique, nasce diferente, com uma alma diferente, redimensionando o Universo de outras formas.
É o marulhar do Índico que nos encanta, que se enlaça nas várias vozes que nos sussurram nestes poemas, que nos sibilam cantos de esperança, mesmo nos momentos mais difíceis, que nos dão lições de vida mesmo onde a morte espreita em muitos cantos.
É o cheiro da terra, que nos embriaga, que nos agarra, que nos fascina, que nos interpela.
O próprio título coloca-nos algumas questões, apresenta-nos algumas linhas de leitura. Através deste Moçambique Novo desembocamos num Enigma, que nos ajuda a questionarmo-nos, a conhecermo-nos a nós próprios: não se deve desdenhar a geografia, as viagens reais, mas a viagem mais importante será a viagem interior, ao universo dos nossos sentimentos.
Os poemas do Delmar estão urdidos numa linguagem simples, que todos entendem que fazem reflectir, embora tenhamos que reconhecer que qualquer forma de linguagem é muito pobre comparada com a complexidade das coisas que nos envolvem.
Camões, um dia, pediu à Tágides que lhe dessem um novo alento, uma nova inspiração para fazer um canto que mostrasse a grandiosidade dos feitos dos portugueses, embora conclua “se tão sublime preço cabe em verso”, isto é, dificilmente se podem reduzir os feitos de um povo a palavras, por melhores que elas sejam.
O Delmar apresenta temas simples mas profundos, aparentemente comezinhos mas fortes e as palavras escolhidas ao sabor da emoção, da consciencialização dos problemas que o cercam, vão tentando dar-nos todos os cambiantes da consciência humana, que são mais vastos que uma floresta tropical. Alguém um dia escreveu que o que acontece em dez minutos é algo que excede todo o vocabulário de Shakespeare. Delmar tenta, pelo pulsar da sua sensibilidade, guiar-nos até à resposta de um enigma, construir através das suas palavras, caminhos com sentidos diversos mas que desembocam num mundo outro que é o de todos nós.
Que cada um possa deliciar-se a ouvir o canto do xirico, e ganhar asas de sonho ou nostalgia, de liberdade ou de paz.
Que cada um possa saborear estes versos, encantar-se com estas histórias, sorrir com as pequenas brincadeiras de linguagem.
Que cada um possa encontrar o caminho da descoberta, de si e do mundo, dos problemas e das soluções, das tristezas e das alegrias.
Convido-vos a encetar esta viagem poética sempre embalados pela musicalidade das palavras do Delmar, para que possamos vir a ser companheiro de viagem e encontro de e com todas as criaturas que connosco partilham o Universo”.

Ana Luena
In www.africamente.com

sábado, 22 de agosto de 2009


Cartaz para o evento
"Traz um amigo também..."
No Chapitô em Lisboa
"Mas é doce morrer nesse mar de lembrar
e nunca esquecer
Se eu tivesse mais alma para dar, eu daria
Isso pra mim é viver"
Djavan

Um Pensamento Solar para Moçambique

Pensar que um país se reduz às suas fronteiras naturais e geográficas, torna-se nos dias que correm, um pensamento sufocante, superficial e pouco verdadeiro. Nos gestos escritos que esculpem memórias, vivências deixadas no país de origem, os nomes das paisagens que não se esquecem, os rostos que habitam as nossas identidades, emerge a força que as palavras possuem e rasgam no papel, divisões e distâncias. Os "Cadernos Moçambicanos Manguana" são a prova de que Moçambique renasce e se elasticiza, para além de uma história que nos diz desta terra como só existindo no continente africano. Mas, esta estória é falsa, e parcial. Ao caminhar ao longo de cada poema, de cada texto de que género seja, compilados neste recanto de vozes humanas, escutam-se os acordes de maturação, reflexão, e encanto que pensam Moçambique.
Aos que optaram por ficar, não obstante, os tempos turbulentos do pós-independência, deixa-se sempre uma recordação do antigamente, do que era e já não é. Para aqueles cujas opções de vida abriram portas para uma saída, para a escola da diáspora, e para o exílio nostálgico da solidez da terra natal, fica a espiritualidade, o desassossego, a enorme vontade de erguer pontes de diálogo, compreensão, ternuras e solidariedades.
`
É neste tecitura de gestos sólidos, de escritas que tecem coreografias sobre narrativas de vida e de identidade, que os "Cadernos Moçambicanos" exercem o seu maior papel, trazer para a luz do dia, para o terreno da pele mais nobre e humana, que Moçambique vive e pulsa em cada sentir, em cada olhar, em cada sonho que erguemos ao despertarmos para um novo dia de afazeres e desafios. Enfim, fazer aquilo que o Mais-Velho Craveirinha, hoje, se estivesse vivo, embevecidamente observaria, que a Nação que ele, poeticamente, sonhou, é maior que o Rovuma e o Maputo juntos.


Sheila Khan, uma moçambicana na diáspora
Knutsford, 19 de Outubro de 2006.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Delmar,

Parabéns! Um escritor como tu fazia falta na web.

Um abraço,


Ângelo Rodrigues
(Escritor, Poeta, Filósofo, Professor, Artista Plástico e Director Literário da Editorial Minerva)
Lisboa, 2007

quarta-feira, 19 de agosto de 2009



Cartaz para o Recital
"Mestiçando com Arte"
No Restaurante Aquarela do Brasil em Paço de Arcos

Vera Novo Fornelos
(Poetisa e Artista Plástica)
Parede, Julho de 2009.

sábado, 15 de agosto de 2009

“Hmm, seems that you are on the verge of romanticized poetry….Reminds me of Gusmao….”

who is Gusmao? a poet? I know many but haven’t heard or read about this one. The one’s i most appreciate are Delmar Maia Gonçalves, a mozambican poet who seems to worship women as if they were Goddesses, even went to the point of dedicating a book to them. And the Other one is Fernando Pessoa, and his heteronyms, the man who ‘fealt’ with his head, he believed that poets had to refrain from using personal feelings or emotions as driving forces behind their work. it was the audience that had to feel something from the coherent texts they wrote.

“Don’t envy my temporal tyranny, you may be fond of gazing at me because of my morning maiden beauty but I assure you will ignore me when i turned to be the crone of the evening one day”

the most beautiful thing in the world, besides the birth of a child(although i might pass out while watching it, anyways it’s life happening, so it’s bound to be beautiful), is growing old with the person you love.
If i loved a woman and if we got married i’d always see her as the morning maiden beauty that we where when we first met. and besides growing old is part of life.


Blood Dancer
In http://www.factpile.com/taki-vs-diana-vs-kitana
3 de Agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Prezado Delmar Gonçalves,

Sou um poeta brasileiro. Descobri o seu blog, o seu email e o seu interesse ao literatura ao navegar pelo Blogspot.
Aí vai o meu endereço: http://poemargens.blogspot.com.
Quando puder, faça uma visita.

Abraços,

José António Cavalcanti
(Poeta, Contista e Professor)
Brasil, 20 de Maio de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O mestiço é a balança que equilibra e aproxima as diferenças entre dois povos com culturas diferentes. É o resultado de uma simbiose necessaria à evolução.





Vera Novo Fornelos

(Poetisa e Artista Plástica)

Viana do Castelo, 18 de Fevereiro de 2008

I Gala Kanimambo

Homenagem a antigos jogadores moçambicanos

A Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Casa de Moçambique em Portugal organizaram na passada quinta-feira a primeira edição da Gala Kanimambo e Jantar Moçambicano, onde foram presenteados antigos jogadores moçambicanos que representaram a selecção portuguesa no passado. O evento teve lugar na Casa do Campo, em Figueiró e iniciou por volta das 19h45.

Jogadores da selecção que ficou em terceiro lugar no Mundial de 1966, tais como, Vicente Lucas, Hilário da Conceição, Eusébio (não esteve presente por ser embaixador do Benfica e ter viajado com a equipa para Itália, para o jogo contra o Nápoles, da Taça UEFA), Ricardo Chibanga, Mário Coluna e Abdool Vakil (presidente da Comunidade Islâmica e do Banco Efisa) ganharam o prémio prestígio.

A homenagem a título póstumo coube a Matateu (recebeu Vicente Lucas, o qual protagonizou o momento mais alto da cerimónia. "Se ele estivesse vivo, estaria a agradecer-vos por este prémio", ressaltou, pedindo um minuto de silêncio em memória do jogador) e a Artur Meque (recebeu Jossias Filipe).

Também foram distinguidas com a homenagem Kanimambo algumas individualidades ligadas à cultura, economia e política, que, de algum modo, cooperaram para o crescimento da fraternidade entre Portugal e Moçambique: o Mestre Chichorro (recebeu Delmar Gonçalves); o membro do executivo e da Associação Empresarial, Abdool Vakil; TAP (recebeu Zaida Brook), Augusto Matine; Daode Faquira (ausente por se encontrar no banco de suplentes do Vitória de Setúbal no jogo contra o Heerenveen, da Holanda. Recebeu Augusto Matine) e Delmar Gonçalves.

A animação pertenceu a Genito e a Kalonga and The Ganza Farmer.

In Jornal Verdadeiro Olhar

Paços de Ferreira, 18 de Setembro de 2008.