quarta-feira, 19 de agosto de 2009



Cartaz para o Recital
"Mestiçando com Arte"
No Restaurante Aquarela do Brasil em Paço de Arcos

Vera Novo Fornelos
(Poetisa e Artista Plástica)
Parede, Julho de 2009.

sábado, 15 de agosto de 2009

“Hmm, seems that you are on the verge of romanticized poetry….Reminds me of Gusmao….”

who is Gusmao? a poet? I know many but haven’t heard or read about this one. The one’s i most appreciate are Delmar Maia Gonçalves, a mozambican poet who seems to worship women as if they were Goddesses, even went to the point of dedicating a book to them. And the Other one is Fernando Pessoa, and his heteronyms, the man who ‘fealt’ with his head, he believed that poets had to refrain from using personal feelings or emotions as driving forces behind their work. it was the audience that had to feel something from the coherent texts they wrote.

“Don’t envy my temporal tyranny, you may be fond of gazing at me because of my morning maiden beauty but I assure you will ignore me when i turned to be the crone of the evening one day”

the most beautiful thing in the world, besides the birth of a child(although i might pass out while watching it, anyways it’s life happening, so it’s bound to be beautiful), is growing old with the person you love.
If i loved a woman and if we got married i’d always see her as the morning maiden beauty that we where when we first met. and besides growing old is part of life.


Blood Dancer
In http://www.factpile.com/taki-vs-diana-vs-kitana
3 de Agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Prezado Delmar Gonçalves,

Sou um poeta brasileiro. Descobri o seu blog, o seu email e o seu interesse ao literatura ao navegar pelo Blogspot.
Aí vai o meu endereço: http://poemargens.blogspot.com.
Quando puder, faça uma visita.

Abraços,

José António Cavalcanti
(Poeta, Contista e Professor)
Brasil, 20 de Maio de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O mestiço é a balança que equilibra e aproxima as diferenças entre dois povos com culturas diferentes. É o resultado de uma simbiose necessaria à evolução.





Vera Novo Fornelos

(Poetisa e Artista Plástica)

Viana do Castelo, 18 de Fevereiro de 2008

I Gala Kanimambo

Homenagem a antigos jogadores moçambicanos

A Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Casa de Moçambique em Portugal organizaram na passada quinta-feira a primeira edição da Gala Kanimambo e Jantar Moçambicano, onde foram presenteados antigos jogadores moçambicanos que representaram a selecção portuguesa no passado. O evento teve lugar na Casa do Campo, em Figueiró e iniciou por volta das 19h45.

Jogadores da selecção que ficou em terceiro lugar no Mundial de 1966, tais como, Vicente Lucas, Hilário da Conceição, Eusébio (não esteve presente por ser embaixador do Benfica e ter viajado com a equipa para Itália, para o jogo contra o Nápoles, da Taça UEFA), Ricardo Chibanga, Mário Coluna e Abdool Vakil (presidente da Comunidade Islâmica e do Banco Efisa) ganharam o prémio prestígio.

A homenagem a título póstumo coube a Matateu (recebeu Vicente Lucas, o qual protagonizou o momento mais alto da cerimónia. "Se ele estivesse vivo, estaria a agradecer-vos por este prémio", ressaltou, pedindo um minuto de silêncio em memória do jogador) e a Artur Meque (recebeu Jossias Filipe).

Também foram distinguidas com a homenagem Kanimambo algumas individualidades ligadas à cultura, economia e política, que, de algum modo, cooperaram para o crescimento da fraternidade entre Portugal e Moçambique: o Mestre Chichorro (recebeu Delmar Gonçalves); o membro do executivo e da Associação Empresarial, Abdool Vakil; TAP (recebeu Zaida Brook), Augusto Matine; Daode Faquira (ausente por se encontrar no banco de suplentes do Vitória de Setúbal no jogo contra o Heerenveen, da Holanda. Recebeu Augusto Matine) e Delmar Gonçalves.

A animação pertenceu a Genito e a Kalonga and The Ganza Farmer.

In Jornal Verdadeiro Olhar

Paços de Ferreira, 18 de Setembro de 2008.

Palestra Cadernos Moçambicanos Nº 3


Caros amigos



Em surpresa recebo um telefonema do amigo Delmar Maia Gonçalves convidando-me para fazer a apresentação do nº 3 dos CADERNOS MOÇAMBICANOS.


Eu? Porquê?


É evidente ser apreciador de literatura, de uma boa leitura, para a melhor abertura de espírito. Mas “crítico literário” não sou. Gosto ou não gosto e às vezes nem uma coisa nem outra: simplesmente não entendi. E por aí me fico.


Mas parece que a razão foi outra: a net e os blogs. Aí comecei a entender embora não ache razão suficiente.


Assim sendo aqui me encontro, não propriamente para uma crítica literária ao conteúdo deste Nº 3º dos CADERNOS MOÇAMBICANOS, o que ficará para cada um de vós, expressando eu apenas a minha alegria por partir de moçambicanos mais esta iniciativa.


Edição cuidada, já em forma de livro. Conteúdo agradável, textos ou poemas em sequência bem doseada, gostando ou entendendo uns mais ou melhor que outros.


Por tudo isto não vou comentar nenhum dos autores, alguns já com obra editada, mas falar um pouco da net e de como através dela conseguimos não só criar novos amigos, espalhados pelo mundo, mas levar até eles o que de melhor, e às vezes de pior, pode unir os homens ou mulheres deste mundo cada vez mais global.


Sabemos assim quase instantaneamente o que se passa em remotos lugares a milhares de quilómetros. Mas também conseguimos levar a todos , além de notícias, conhecimento. Conhecimento sem censura. Por isso usada para o melhor ou para o pior.


Reconhecendo no entanto que este “para o melhor ou pior” é relativo.


Estamos aqui naturais de lugares situados a milhares de quilómetros uns dos outros, com Bilhetes de Identidade que às vezes nada dizem quanto ao sentimento de nacionalidade que cada um apresenta. Mas há algo que nos une e aqui nos traz: a língua que falamos e em que comunicamos. E é assim que através dela nos entendemos, que trocamos ideias, que achamos confirmações às nossas dúvidas e partilhamos do que sabemos ou conhecemos. Não interessa agora a evolução histórica para que hoje existam vários países, dispersos por continentes, a falar português. Interessa apenas salientar que é por esse razão que se não diluíram os velhos laços de amizade nascidos nos territórios que já foram Portugal.


Mas não fora a internet, a sua manutenção seria difícil. E a aproximação e intensificação desse relacionamento também se não daria.


Não é a internet mais que um meio. Não um fim em si mesma.


E como fui eu parar à internet?


Em Fevereiro de 1995 estava arrumando umas quinquilharias e encontro duas caixas com muitas centenas de slides que trouxera de Moçambique. E pensei que quando me finasse aquele espólio seria metido a um canto ou até deitado ao lixo pois que meus filhos, não sendo propriamente imagens de família, por eles se não interessariam.


Já tinha ouvido falar da net mas nunca acedera a tal ferramenta. Com a ajuda de alguns amigos em Maio de 1995 tinha criado a minha primeira página na net a que dei o título de MACUA DA ILHA DE MOÇAMBIQUE, acrescentando alguns textos e depois algumas músicas, procurando que Moçambique fosse encontrado por esse mundo global.


Aprendendo e evoluindo consegui ter a página sobre Moçambique mais vista da net, recebendo contactos das mais variadas partes.


Foi em 2003 premiada por estar entre as 5% das páginas(sites) mais vistas no mundo, bem como pelo seu conteúdo, segundo um júri internacional. Mas o meu objectivo sempre foi colocar Moçambique no mundo.


Mas a página era de certa forma estática, tendo em 2004 criado o blog MOÇAMBIQUE PARA TODOS, como anexo ao MACUA DE MOÇAMBIQUE. Neste momento está com uma média de 1000 visitas diárias e já mais de 200 subscritores da sua newsletter diária. São notícias, comentários, vídeos e tudo o que mais consiga, essencialmente relacionado com Moçambique, procurando não esquecer o contexto em que as situações acontecem ou evoluem ou são influenciadas e aberta a todos os matizes políticos.


Felizmente que não sou único e nem fui o primeiro.


Hoje é fácil a qualquer pessoa ter um blog ou uma página. E é assim que uns fornecem os conteúdos e outros os digerem.


Mas é essencialmente por já hoje existirem alguns milhares de computadores ligados à net em Moçambique que a distância que deles nos separa a geografia se reduziu a alguns segundos.


São os grupos através do Yahoo ou MSN que se formam por localidades onde moraram ou escolas que frequentaram. São os grupos de interesse. Todos com residentes nos quatro cantos do mundo, como o Moçambique Online, com cerca de um milhar de inscritos, comunicando-se quase instantaneamente, quase diariamente.


E é através deste meio que os nossos povos (todos os que falam português), mais que os políticos, têm conseguido manter laços que de outra forma se perderiam ou seriam de difícil manutenção.


Criaram os políticos a CPLP e andam sempre inchados com a lusofonia em encontros, pouco mais que turísticos, de país para país, que fale português.


Mas importante é compreender que a construção da lusofonia não está nas mãos de um projecto integrador, nem de uma cartilha, nem de uma vanguarda política, nem dos seus profetas culturais.
As comunidades lusófonas formam uma rede entrosada de afectos, de objectivos políticos e de interesses e que se alimenta das liberdades das nações, das pessoas e das instituições.
Quem disse que a língua portuguesa foi "a melhor coisa que os portugueses nos deixaram" foi Amílcar Cabral, bem como outros dirigentes dos movimentos de independência, aliás ensinados em escolas cristãs baptistas anglófonas. Quem está contra a lusofonia não percebeu o mundo político da globalização; quem está a favor, está sempre a tempo de fazer qualquer coisa.


Ainda em 11 de Setembro passado Eduardo dos Santos afirmou:


“Devemos ter a coragem de assumir que a Língua Portuguesa, adoptada desde a nossa Independência como a oficial do país e que é hoje materna de mais de um terço dos cidadãos angolanos, se afirma tendencialmente como uma língua de dimensão nacional em Angola.”


E acrescentou:


“Isso não significa de maneira nenhuma, bem pelo contrário, que se deva alhear da preservação e constante valorização das diferentes Línguas Africanas de Angola, até aqui designadas de “línguas nacionais”, talvez indevidamente, pois quase nunca ultrapassam o âmbito regional e muitas das vezes se estendem para além das nossas fronteiras.”


Mas somos nós, assim o creio, que estamos a criar a verdadeira lusofonia. Até nem sei se será esta a melhor palavra para definir tudo o que nos une. E ninguém pode negar que é a partir de Lisboa que tal está a acontecer. Razões? As do coração, em essência. Políticos são políticos, mas povo somos nós.


E mais uma prova disso são estes CADERNOS CULTURAIS que agora lhes são apresentados.


Resta-me pois terminar, com os meus votos de sucesso ao CADERNOS MOÇAMBICANOS e aos seus promotores, pedindo desculpa pelo tempo que lhes roubei.


A todos os meu obrigado pela paciência que tiveram em me ouvir.




Fernando Gil


(Director do Website Macua)


Lisboa, 30 de Setembro de 2006

Ilustração:

"Cadernos Moçambicanos"

de Isabel Carreira

(Artista Plástica, Professora de Literatura Portuguesa e Inglesa e Mestre em Relações Interculturais)



CADERNOS MOÇAMBICANOS Nº 3

«A ideia de compilar estes 'Cadernos Moçambicanos', surgiu durante uma conversa com Jorge Viegas, na Embaixada de Moçambique, quando falávamos sobre a dificuldade que a maior parte dos escritores encontram para editar as suas primeiras obras», declarou ao Jornal Costa do Sol, Delmar Gonçalves, durante a apresentação dos Cadernos Moçambicanos Manguana 3 ".
«No início pensámos em coligir uma antologia de poetas moçambicanos, mas depois decidimos torná-la mais abrangente, editando autores de língua lusófona», acrescentou ainda o poeta que, nascido em Quelimane, habita há largos anos em Parede.
«Terceira etapa de uma caminhada que pretende ter continuidade» a antologia de poesia e prosa, que reúne trabalhos de autores moçambicanos, portugueses, angolanos e brasileiros, tem chancela da Sebenta.
A cerimónia decorrida no passado sábado, no auditório da Junta de Freguesia de São Domingos de Rana, incluiu a leitura de poemas e excertos de textos pelos seus autores, enquanto o director do site moçambicano Macua, Fernando Gil, apresentou os escritores, citando algumas notas biográficas.
Para além de Delmar Gonçalves, estiveram presentes, Jorge Viegas, Renato Graça, Carlos Gil, Jorge Chichorro Rodrigues, Manuel Matsinhe, Ana Loureiro, Nora Vilar, Luís Ferreira, Edmundo Verdades, Claudia Gomes, João Marafuga, Lúcia Lupenny Rodrigues, Maria José Peres, Paula Ferraz, Fernanda Maias, Maria Olga Santos e Penélope Rodrigues, assim como Filipa Gonçalves, a artista plástica responsável pela feitura da capa.
Registou-se ainda um momento musical, protagonizado por Dama Bete, tendo um "Porto de Honra", incentivado o convívio.

In JORNAL DA COSTA DO SOL – 05.10.2006

domingo, 2 de agosto de 2009

Delmar, que conto bacana... retratou bem o cotidiano q se repete e se repete... me lembrou o poema de Carlos Drummond: Cidadezinha Qualquer Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eita vida besta, meu Deus.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Excerto do relatório da Assembleia Geral da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Parede (actual Fernando Lopes Graça)

(...) Assim, é importante que os futuros dirigentes associativos tenham presente que "para grandes males, grandes remédios" e que a palavra persistência pode ter cabimento, até no meio mais adverso. A Associação de Estudantes, exaltando o Vice-Presidente para a Cultura (Delmar Maia Gonçlaves), mereceu certamente o nosso melhor aplauso pelo ressurgimento de movimentação cultural nesta escola.

João Nunes
(Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Parede)

Um activista por excelência

Delmar na escrita denuncia, por um lado, um Moçambique novo e por outro uma vontade gritante de dar sentido à mestiçagem. Faz parte de uma série de associações contra o racismo, de ajuda aos talentos moçambicanos, à imigração, entre outros.

A religião ocupa um lugar primordial e a procura pelo ecumenismo é um dos seus objectivos. Um escritor e um professor preocupado com as causas alheias e que transporta consigo o seu maior enigma, Moçambique.

Delmar Maia Gonçalves nasceu em Quelimane a 5 de Julho de 1969 e chegou a Portugal no final de 1985. A família, devido à guerra civil que se fazia sentir em Moçambique, apressou-se a vir, já que muitos familiares tinham sido recrutados. O pai, português, tentou criar condições para que todos saíssem do país natal do escritor, pelo menos durante os tempos difíceis.

A adaptação foi complicada «tinha uma vida boa com muitos amigos e até jogava futebol, quando cheguei aos 18 anos, tive de começar tudo de novo». Acabou o secundário e chegou a pensar em ser padre, chegou mesmo a fazer teologia, mas depois acabou por desistir, porém a religião continua a fazer parte da sua vida. Hoje em dia é escritor e professor do Primeiro Ciclo do Ensino Básico no Bairro Padre Cruz, para além de fazer parte de numerosas associações, todas elas com propósitos diferentes.

«Quando estava em Moçambique fazia parte da juventude moçambicana e quando cheguei tentei integrar-me e fi-lo através das associações» a primeira, da qual fez parte, foi a Casa Humana que é uma associação social e urbana onde o presidente achou que o escritor podia contribuir na área da imigração, através da sua experiência pessoal. Depois envolveu-se com a Resistência Timorense, quando «muitas pessoas já achavam que a causa estava perdida», criou boas relações inclusive com Roque Rodrigues, actual Secretário de Estado da Defesa de Timor e conseguiu mobilizar apoios, livros, faxes, telefones, etc.

No que respeita ao SOS Racismo, esta teve como ponto de partida a sua própria experiência pessoal. «Os professores repetiam que eu era moçambicano, pediam que eu partilhasse a minha experiência e elogiavam o meu trabalho e os meus colegas reagiam mal. Uma das vezes disseram-me para eu ir para a minha terra e isso marcou-me». A partir daí começou à procura de pessoas a quem já lhes tinha acontecido o mesmo e encontrou imensas, houve quem tivesse ouvido o mesmo tipo de provocação e o pior é que era um português.

Faz parte também de um Centro Cultural Luso-Moçambicano a convite de Lívio Morais, para divulgar a cultura moçambicana e vice-versa, porque «a percepção que antes se tinha dos moçambicanos que viviam cá é que eram antipatriotas, até que o Lívio foi lá mostrar o trabalho dos imigrantes».

No que respeita às questões religiosas, houve uma Federação Internacional Inter-Religiosa que o convidou para ser Embaixador da Paz onde «trabalhei para o ecumenismo porque isso é importante para a integração».

“Na minha Pátria/ não há pretos nem brancos/ há moçambicanos”

A literatura e a sede de escrever sobre as coisas que conhecia e sentia, foram desde pequeno, uma realidade. Em Moçambique já fazia as suas tentativas a nível literário e lia os seus escritores de eleição, tais como: José Craveirinha, Noémia de Sousa (esta que antes de falecer insistiu com Delmar que publicasse um livro), Eça de Queirós, Cesário Verde, Bocage, entre outros. Em 1982 escrevia poesia e uma das suas alegrias era «quando via o meu nome nas revistas de Moçambique, isso motivava-me muito». Na altura que frequentou as escolas portuguesas resolve mostrar o seu trabalho às professoras e estas incentivavam-no, ao ponto de uma delas o convencer a enviar as poesias para o Concurso Nacional de Literatura Ferreira de Castro, que ganhou. Depois desse, muitos outros prémios somaram-se, o Cancioneiro Infanto-Juvenil para a língua portuguesa no Piaget, da Rádio Havana recebeu uma Menção Especial, foi convidado a fazer parte do Júri das Nações Unidas (FNUAP) para um Concurso de Cartazes, e venceu um outro da Comunidade Moçambicana em Portugal.

Escreveu muitos livros em conjunto, destacam-se: Poeisis, Viola Delta e Cadernos Moçambicanos.

A mestiçagem é um tema ao qual Delmar dá especial enfoque, pois acredita «que é o futuro da humanidade, principalmente com a globalização» e é um assunto que os escritores mais velhos não podiam falar, era tabu «na altura podias ser mestiço, mas tinhas que te assumir como negro».

Artigo de Rita Pablo

In Revista “Africa Today”

Fevereiro 2006


Poeta zambeziano Delmar Gonçalves depõe


Pretendemos valorizar todas as formas de moçambicanidade e não apenas a política, que insiste em excluir. Nós somos inclusivos, não olhamos para a cor da pele ou para o bilhete de identidade, olhamos apenas e só para o Amor comum que sentimos pelo nosso berço: Moçambique – DELMAR GONÇALVES

Para conhecermos Delmar, um jovem poeta natural de Moçambique que se vem firmando em Portugal através das suas poesias editadas pela editora Minerva, e pelas suas presenças sempre festejadas nos lançamentos dos livros daquela editora, temos que conhecer Quelimane, a capital dos históricos prazos, situada na baixa Zambézia, fulcro de mestiçagem do cruzamento de africanos com reinóis (portugueses) e goeses. Por isso, vamos recolher o testemunho deste jovem natural da vetusta Chuado onde também nasceu quem entrevista o poeta.

Ecos do Oriente (EO) - Como vias a Quelimane do teu tempo?

Delmar Gonçalves (DG) - Quelimane já era uma cidade linda, sempre limpa, mas cujos monumentos já tinham sido varridos pela revolução. De qualquer forma, a minha família sempre apoiou a independência do país, mas não se esperava tanto radicalismo. A minha poesia expressa tudo isso. Houve rusgas nas ruas, nos cinemas (onde a minha família ia todos os domingos assistir às grandes superproduções indianas, com Amitabh Bachchan, Dharmendra, Rajesh Khanna e Dilip Kumar, a brilharem nos cinemas “Águia” e “Estúdio”) e no futebol, onde o Sporting Clube de Quelimane, mais tarde, Palmeiras e Cessel do Luabo, brilhavam com grandes jogadores.

EO - Recorda-me um episódio acontecido contigo em Quelimane?

DG - Um episódio curioso que me marcou deu-se uma vez em que eu saia do cinema “Estúdio”, onde assisti ao filme “Pratiggya” (“O Juramento”) do Dharmendra; fui confrontado por polícias que pediam documentos. Era uma rusga. Quem não tivesse documentos era levado para Lichinga [situado no extremo noroeste do território] num camião. Como eu não tinha documentos, fui levado para o Conselho Executivo de Quelimane, para sermos novamente identificados. Um comandante da Frelimo que conhecia o meu pai reconheceu-me e mandou-me para casa.

Um outro episódio foi numa situação em que assistia a um jogo de futebol com outros mupfanas (crianças) emcima do muro do campo do Sporting, quando chegou um milícia popular e me deu um pontapé dizendo: “Misto sem bandeira, vai para a tua terra!”.


EO – E como é que reagiste a essas situações?

DG – Reagi com lágrimas, fiquei perplexo e revoltado porque ele surpreendeu-me. Sai de lá e fui directo para casa. Nesse momento pensei “Moçambique tem o futuro adiado!”


EO - Quando começaste a escrever e aonde?

DG - Comecei a escrever em 1982, com simples cartas de leitores na revista “Tempo”, que foram elogiadas e posteriormente comecei a escrever poemas e a enviá-los. Já em Portugal, em 1985, comecei a enviar textos emprosa e poesia, para o DN Jovem, que publicou e aconselhou a continuar a escrever. Em 1998, Noémia de Sousa, aconselhou-me a publicar.

EO - Qual foi a reacção do que recebeu o teu trabalho e qual foi a tua?

DG - O incentivo do DN Jovem foi importante, no entanto o meu maior apoio foi da minha professora de 8º e 9ºanos de língua portuguesa e francês, a Sra. Gabriela. Ela incentivou-me a participar no primeiro concurso de jogos florais da escola secundária da Parede, que venci, e no prémio português de literatura juvenil Ferreira de Castro, em poesia, que ganhei já em 1987.

Apesar das tropelias que lhe aconteceram, e a muitos mais jovens seus contemporâneos, devido ao racismo dealguns (e que não poucos), Delmar abraçou a causa, separando as águas, da moçambicanidade, da terra onde nasceu, cresceu e se fundam as suas raízes. Aqui vem formando núcleos que reflictam as actividades que decorreram e decorrem naquela terra o Índico.

EO - O que é o Movimento Jovem Moçambicano de Intervenção Cultural em Portugal?

DG - Este movimento moçambicano não é uma associação, nem uma ONGD, nem um clube, mas um movimento de vontades comuns de jovens que pretendem lutar e contribuir para uma relação saudável e profícua entre os povos falantes da língua de Camões, embora respeitando as diferenças e variantes específicas de cada espaço geográfico e cultural e nesse âmbito já realizou exposições de pintura, escultura, desenho e fotografia, recitais de poesia, palestras pela paz (em Timor, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Israel, Palestina e Tibete). Já ofereceu livros para venda às associações e ONGD’s; já ofereceu vídeos e DVD’s às associações, inclusivamente, já organizou uma conferência internacional interreligiosa pela Paz. Tem feito também numerosas intervenções em escolas e temos vários eventos previstos.

Pretendemos valorizar todas as formas de moçambicanidade e não apenas a política, que insiste em excluir. Nós somos inclusivos, não olhamos para a cor da pele ou para o bilhete de identidade, olhamos apenas e só para o Amor comum que sentimos pelo nosso berço – Moçambique.

DELMAR MAIA GONÇALVES nasceu em Quelimane em 5 de Julho de 1969. Foi membro activo da Organização da Juventude Moçambicana (O.J.M.) e Quelimane e dirigente estudantil.

Já em Portugal foi igualmente dirigente estudantil quer no Ensino Secundário, quer no Ensino Universitário.

Fez parte do Movimento Encontro de Jovens da comunidade Shalom – Sociedade de Vida Apostólica.

Como professor orientou e dirigiu acantonamentos de jovens estudantes do ensino Secundário de Educação Moral e Religiosa Católica na Ericeira.

Fundou recentemente o Movimento Jovem Moçambicano Intervenção Cultural em Portugal.

É um dos coordenadores dos “Cadernos Moçambicanos Manguana”.

Delmar tem uma filha que se chama Luna Delmar Gonçalves, já com 9 anos de idade, e vive hoje na linha de Cascais.


Entrevista de MÁRIO VIEGAS

In Revista "Ecos do Oriente"

Janeiro/Março 2008







domingo, 5 de julho de 2009

Bom dia Delmar;
Hoje, esta mensagem
Que mando para você
Tem que ser especial,
Afinal hoje é seu aniversário.
Parabéns que Deus continue
Protegendo essa pessoa especial
Que é você
,Que os sentimentos mais puros
Se concretizem em gestos de bondade.
A paz que do seu lado a gente sente;
Uma alegria imensa já nos tráz.
Feliz aniversário.

Beijinho,


Maria da Conceição Novo

quarta-feira, 1 de julho de 2009




Homenagem a Delmar Maia Gonçalves (nascido em Quelimane, a 5 de julho de 1969). Um escritor/poeta de Moçambique.
Amigo e colega de trabalho.
...
De escrita na pele,
e sorriso no rosto.
Uma viagem sem papel,
roteiro de palavras que respeito.
...
poeta moçambicano,
colega e amigo.
num abraço sem tamanho,
um voo livre com sossego.
...
Nos meus desenhos te revejo,
espelho de alma límpida.
hoje concedo-te um desejo,
o rascunho de um sucesso antecipado.
...
Cristina Araújo
(Professora e Artista Plástica)
Lisboa, 30 de Junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

Olá Delmar. Tenho que lhe dizer que me deixa fascinada com seus textos. Quando em momentos menos favoráveis da minha vida, já me questionei sobre o Cristo que você "busca. Mas passados alguns momentos, encontro Cristo, em tudo que meus olhos alcançam. Sei que não o vejo, mas Ele está comigo, quando olho em meu redor, e vejo toda esta beleza que é o mundo em constante evolução. Nós" consciente ou inconscientemente, estragamos tudo. Com o "nosso" por vezes deixa pra lá, e não cuidamos,da terra onde "nossos" pés caminham, e dela tiramos nossa sobrevivência. Quando pela manhã lhe dou bom dia e agradeço mais um dia na minha vida. Quando encontro seres humanos, como você por exemplo.
Delmar, tem um dom muito especial, que é dizer e escrever o que pensa, e isso foi Deus que lhe deu inteligência para tal.
Deus está presente em todos os momentos da sua vida.Gosto da sua poesia; a minha é diferente, você é um poeta a 100% .Tudo de bom e felicidades.Amei "Perguntarei ao Cristo",é a mais pura verdade,tuas palavras,olha Delmar não sei como as definir.Pois se amamos Cristo deveríamos amar todos sem importar a raça ou a cor.Eu do fundo do meu coração,não discrimino ninguém, são todos seres humanos, que dependendo da raça ou da cor tem defeitos como qualquer um de nós.
Estou a aprender contigo, faz de conta que sou tua aluna mais velha.

Parabéns gosto de tudo o que escreves,continua sendo como és,um ser maravilhoso.

Maria da Conceição Novo
Viana do Castelo, 31 de Maio de 2009.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Moçambiquizando


Numa tarde de Sábado, Março entrado, caía o sol que iria acordar no horizonte, indo bailar do outro lado do Mundo, o Palácio das Galveias abriu portas para receber um grupo de amigos que iam ver poesia.

Delmar Maia Gonçlaves era o anfitrião mas também o homenageado. Quis partilhar, com o seu público, a sua poesia, as suas palavras-sentimentos, as suas verdades-alegres e verdades-dolorosas.

A criação lietrária é sempre passível de ser analisada, escamoteada, esquartejada pelas teorias literárias, mas acima de tudo, deve ser sentida, porque é criação e criação é poesia.

Olhar o autor é rever o seu percurso de pessoa, mas o autor apaga-se para deixar nascer vários sujeitos poéticos, que brincam com palavras, que reflectem pensamentos-ideais.

A racionalidade nem sempre é compatível com os sentimentos, contudo, a regra faz as excepções,
as construções enigmáticas da verdade ganham contornos de realidades concretas. Os percursos são diversos, os caminhos são rectos ou tortuosos, são sombrios e ténues nas suas fronteiras. O sonho enraiza-se nas profundezas so ser, os versos soltam-se do seu dono, ganham um espaço novo e novas tonalidades.

Pelas páginas do Moçambiquizando elabora-se um topografia de países, cidades e outros lugares, de nomes, de crenças, de meninos e donzelas, de heróis e de desconhecidos, de razões e desconexões, de improvisos e de sábias doutrinas não reconhecidas.

Como diz Alexandre Honrado, no prefácio do livro, sobre a poesia de Delmar "há uma tão estonteante e sábia crítica, uma agressividade que nunca comete agressão, uma exaltação que nunca é raiva, uma apreciação que é mais discernimento, uma pátria a bulir por dentro que não contém uma só fronteira..."

Das palavras finais do autor pode reter-se que a sua escrita revela a sua "enorme inquitação sobre os desafios do futuro", que a sua vivência é o "exercício pessoal da [sua] moçambicanidade" e que "quando as causas são nobres não devemos duvidar nunca".

Os acordes de timbíla ressoam pela sala, batem corações, revivem Moçambique num abraço moçambicanizando numa encruzilhada de palmas e vozes.

Nota: não se fazem comentários literários com emoções, não se fazem em primeira pessoa, não se contam os pormenores das apresentações, não se deve tocar nos sentimentos do público. Leia-se, por isso, esse comentário acreditando que vale a pena ler a poesia do Delmar para descobrir novas significações, novas entradas em Moçambique, sem ser sempre pelo Índico.

Paula Ferraz
Lisboa, 30 de Maio de 2006
in web www.africamente.com

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Olá Delmar,

Recebi nestes dias a tua carta e apreciei muito o teu texto. Vai pois, ficando na expectativa, pois será publicado na revista.

Recebe um abraço da "Revista Audácia" da Editora Além-Mar
Lisboa, 31 de Janeiro de 1997.

D'el mar e d'el miel, tens a imensidão do teu sentir e a doçura do teu nobre ser.
Saboreias as palavras e usa-las com mestria... nada ao acaso, nada acidental, que as origens em Quelimane isso ensinam.
Nas atitudes e palavras baloiça o pêndulo equilibrado entre a inocência sábia e o incómodo/indignação.
Arte na elaboração do "poema pão" feito a partir de riquíssima matéria prima!...
Obrigada Delmar, por não viveres na torre inacessível e procurares sentir o chão, o cheiro da terra molhada, o aconchego do convívio caloroso dos amigos.
Beijinhos desta amiga e colega que te admira e estima,Catarina Almeida Pio.


Catarina Almeida Pio
(Poeta e Professora do Ensino Básico)
Lisboa, 10 de Abril de 2009

domingo, 12 de abril de 2009

Minha geografia
Começou
No Bairro de Vila Pita
Prolongou-se pelo
Torrone Velho
Em Quelimane
dos "Bons Sinais"
Estendeu-se pela lusitana
Parede.
O epílogo
Não o conheço!

Delmar Maia Gonçalves
Parede, 5 de Julho de 2003

sábado, 11 de abril de 2009

Amigo, há um grande eu dentro de mim que gritou "empatia!" pelas poucas palavras que trocamos. E li-te. Gostei particularmente do "Voltarei", do "Tu Avó" e, claro!, do "A todos os mestiços do mundo"...

Bem, falaremos...


Carlos Gil
(Escritor e Poeta Luso – Moçambicano)
Lisboa, 9 de Maio de 2005

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Acredito muito em si para coisas relacionadas com a lusofonia.


Jorge de Assunção
(Radialista Angolano)
Meu Querido Amigo Delmar,

Acabo de receber o teu livro e não consegui fazer mais nada enquanto não o li...
É lindo! A capa, as imagens, a tua fotografia, mas sobretudo os textos (foi bom reencontrar-me com alguns que já conhecia).
Obrigado pelo livro; obrigado pelas palavras; obrigado por seres meu amigo; obrigado por existires.

João Couvaneiro
(Professor de História e Poeta)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Conhecer o mundo,
e a teus pés envelhecer.

o teu fado é a nossa sina,
Vale tudo enquanto parecer.

Remar ao lado do vento,
alcançar o céu e vencer. ...


Adoro os teus poemas.
Tua amiga Cris Araújo


Cristina Araújo
(Professora de EVT e Artista Plástica)
Lisboa, 5 de Abril de 2009.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Espero que continues a escrever porque tu es dos poucos escritores cuja poesia me consegue cativar.
Os outros são a minha mãe (Ana Paula Loureiro) e Ricardo Reis.


Mahomed Naheez
(Estudante)
Lisboa, 26 de Junho de 2007
Caro Njomba Delmar Maia Gonçalves!!

O reino emocional do criador é a sabedoria e culto com cultura, ninguem cria condignamente o que não sente nem entende, o criador acumula sentimentos.
Para o artista a escrita e a escultura é um testemunho vivo de um imaginário artístico, o mundo dele tem que ser conquistado em cada acto de afirmação e cada livro do Delmar é uma canção ouvida para quem sente e entende a palavra magica: arte!
Porém, o criador interroga, quem és tu? Que está ai escondido? Nessa altura o que ele vê é a forma interior, importa ter em consideração que um objecto de arte tem provavelmente qualidade de representação numa série de níveis culturais, de diferentes visões, o artista apenas pode criar o que o proprio esquema mental lhe permite reproduzir. Algo que pode ter uma função positiva ou negativa, por um lado, o artista perde alguma da realidade, porque permanece a ideia de que não examina com o devido cuidado de um ponto de vista único a aparência do objecto retratado.
O que o artista cria reflecte a sua interpretação mental do mundo que nos rodeia...,
Força muita força amigo Delmar..
Mashala uti manjomba,
com um grande abraço da nossa moçambicanidade de njomba Ntaluma
Ntaluma
(Escultor Makonde)
Lisboa, 2 de Outubro de 2008.

domingo, 29 de março de 2009


ORIUNDO de Moçambique, onde nasceu nos últimos anos do período colonial-fascista português (1969, ainda com António Salazar vivo, mas já taralhoco e fora do Governo), Delmar Maia Goçalves — DMG — passa a infância e a parte principal da adolescência no Quelimane natal, e chega à Europa e ao nosso país com a idade de 16 anos. Este facto biográfico de DMG possibilita-nos, desde logo, aferir de uma sua ligação ou vínculo muito estreito às raízes moçambicanas, onde foi gerado e de onde proveio, e a uma ambiência sui generis, que ultrapassa de longe a chamada cor local. A partir deste último referente — com todos os ingredientes do foro geográfico e uma nomenclatura, quiçá, típica, onde se englobam a fauna e a flora africanas e as figuras sublinháveis do habitat —, o Autor tem atingido outros pressupostos, como sejam as lutas de solidariedade internacionais, a visão ecuménica do mundo, a dádiva pelo outro e a relação amorosa entre homem e mulher que, no paradigma vertente, se corporiza melhor entre branco e negra, ou vice-versa, ou acerca do posicionamento sociológico ou arquetipal do mulato. Em minha opinião, a rota do mulato encontra-se mais perto do branco que do negro.
"Afrozambeziando ninfas e deusas", este livro de agora, assume-se, por seu turno, como um conjunto de textos poéticos onde o principal fulcro motivacional são os aspectos passionais do Amor, tudo o que diga respeito a Eros, tudo longe de Platão, e utilizando uma linguagem que privilegia o denotativo tout court: não são de sua índole ou em face de um formato psicológico ou cultural as buscas constitutivas de um possível conotativo. Aliás, e pelo que conhecemos de DMG, o seu discurso desenvolve-se sempre na esteira de um sonho de olhos abertos, idealiza e corporiza o que acha pertinente sonhar; não pratica o automatismo psíquico nem envereda por caminhos da experimentação frásica. Com efeito, orienta-se em função do húmus onde nasceu, bem como seguindo as pisadas do tipo de leituras que, decerto, teve no seu torrão moçambicano e pelas quais foi formado. Leituras (sublinhe-se) acompanhadas, não admira, pelo feitiço dos contos orais em que a África, então, dita portuguesa, era fértil.
Dentro desta perspectiva, os dois amantes heterossexuais movimen­tam-se sempre num universo onde o "Teu corpo / É como um / Rio sem margens (...)", e tudo se move ao redor "de um amor / que quer ser eterno".
No que concerne à tónica do corpo aberto ao fulgor físico e à liberdade de gestos, esse individualizador é adjectivado como "corpo esbelto" ou cunhado com a etiqueta de "o teu corpo que me pertence". Pode, outrossim, atingir um diapasão mais recôndito: "Teu corpo / um convite velado". Entretanto, no poema "Mulher XXIII", depara-se com outra definição, ou seja, aparece o "Teu corpo" (como) "um território sagrado". E, no texto "Mulher IV", está instaurada a dúvida metódica, digamos assim: não se sabe em virtude de que predicado o Autor ama. Se tal se verifica em face de "Será o teu olhar, Será a tua voz / Será o teu corpo / Será o teu espírito?" Mais ainda: no poema "Mulher XIV", DMG aspira, suspira por "suaves carícias", "para se embrenhar no teu corpo..."
Em definitivo, na composição "Femme XVII — Éternité interrompue", descobrimos, intensos e desesperados,
Deux corps unis Dans un seul" (...).
Não devemos olvidar o que é, porventura, o motor mais eficaz do mundo: tudo vai e vem, tudo parte e se renova ou se extingue na volumetria do corpo. Ele, o único, que é genético e, simultaneamente, um painel de socialização. O corpo acaba por ser o que a sociedade quiser que seja; é depositário de muitas e contrastadas posturas e visões. Somos, sem rebuço, o que comemos, e respiramos, o que sentimos e, mesmo, por que não?, o que amamos. Fingidos ou desgraçados, eufóri­cos ou mal tidos. Malditos. Sanguíneos, até à medula. O Amor engran­dece-nos ou destrói-nos; faz de nós marionetas ou praticantes sublimes.
DMG resolve a vida com base na ambiência transfigurada e transformista de Eros e, embora a sua erótica (dele, Autor) não assuma jamais um tono agressivo, é inquestionável que constitui uma motivação única no seu actual trajecto.
Fora desta emblemática corporal, aparecem algumas composições, poucas, onde os motivos divergem, nomeadamente aqueles onde são mais notórias as matrizes sociais, uma estilística pragmática que terá a ver com os anseios dos últimos anos 40 portugueses, melhor dizendo, do Neo-realismo, o tom directo dos poetas conimbricenses do "Novo Cancioneiro"... Mas vazado para as plagas muito telúricas e carenciadas de África, onde as injustiças campeiam.
Neste contexto, retive "A História de Maria Preta Relembrada", as composições dedicadas à avó Vitória e à avó Rita, o cântico ao futuro que ressalta de "Mulher Africana I", e aqui, para lá do desamor e das humilhações, há um apelo ao sorriso de galvanização.
Finalmente, refiro o poema "Criança, Mulher e Filha", no qual DMG constrói um clima ternurento e enternecedor, dedicado a sua filha (Luna). Nome, esse, que, em si mesmo, sans doute, já é um convite escancarado à poesia...

Fernando Grade
(Poeta, Escritor, Artista Plástico, Crítico de Arte e Crítico de Literatura)
Estoril e Oeiras, Primavera de 2006
É um testemunho de alguém que se importa com o que se passa à sua volta e com os outros, alguém que não suporta injustiça e que critica o que está mal.
"Afrozambeziando Ninfas e Deusas"  é uma homenagem à mulher.
Delmar, já li os teus Livros.O último é a tua vida,és tu.A apresentação está perfeita.

Maria Lucília Gomes
(Professora do Ensino Básico  de Matemática e Ciências)
28 de Junho de 2006

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Um dia fui chamado Delmar
Mama
Porque me chamaste Delmar?
Porque me deste de o ti o destino
Me deste a mim a chama, a vida, o viver e o existir?
Chamaste o nome sem saber que de começo o merecia.
Era a já conhecida a dávida.
Seria Deus ou destino?
Outrora, nada sabia o que era...
Hoje com o começo do caminho
Já sei o rumo do destino.
Deste-me o mar
Que pelo caminho me enviou
A estrada do meu universo
Que é o mundo da magia das letras!


Mira
(contadora de histórias brasileira)

DELMAR MAIA GONÇALVES por RUI SILVA

Penso que o Sr. Delmar Maia Gonçalves é um dos melhores poetas e escritores moçambicanos, pela sua escrita simples e verdadeira, que entra por "nós" dentro, que nos aquece a alma e nos faz "sonhar" com Moçambique e os seus problemas.
Fico grato por ter um amigo assim.

Rui Silva
(Poeta Popular Português)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O Eleito

És tu, que te ocultas não sei ainda onde...
És tu, que és mágico artístico, poeta perfeito...
És tu, que brilhas uma luz que se não esconde...
És tu, homem sublime e rarefeito...


Vera Novo Fornelos
(Poetisa e Artista Plástica)
Viana do Castelo, Dezembro 2007

Eu gostei mais do livro "Moçambique novo, o enigma".
Gostei mais do poema “Tu avó” porque fala da minha bisavó e por ser dedicado a ela. Gostei muito da forma do poema e da entoação.

Luna Delmar Gonçalves -9 anos
(Filha do Autor)
Parede, 09 de Setembro de 2008.