domingo, 13 de setembro de 2009
É Preciso Plantar
mamã
é preciso plantar
é preciso plantar
nas estrelas
e sobre o mar
nos teus pés nus
e pelos caminhos
é preciso plantar
nas esperanças proibidas
e sobre as nossas mãos abertas
na noite presente
e no futuro a criar
por toda a parte
mamã
é preciso plantar
(...)
Um abraço amigo e que juntos continuemos a obra da construção de um futuro popular.
A Luta Continua!
Marcelino dos Santos
(Antigo Presidente da Assembleia Nacional Popular de Moçambique, Fundador da Frelimo e Poeta)
Lisboa, 28 de Julho de 2007.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Discurso Integral de Lívio de Morais
Permitam-me que tome a palavra "Ex-professo" (como quem conhece a fundo a questão), na qualidade de privilegiado que sou:
1º Porque Delmar e eu próprio, somos naturais da mesma província de Moçambique, a Zambézia.
2º Delmar Maia Gonçalves é meu afilhado muito amado.
3º Esta publicação tem o apoio simbólico do Centro Cultural Luso-Moçambicano, de que sou fundador, e que Delmar Maia Gonçalves é membro fundador desde o 1º dia.
Apresento-me aqui, expressamente convidado pelo autor como autor da imagem da capa deste livro. Também creio que o Delmar convidou-me para estar nesta mesa, pela experiência de eu ter editado três livros e, na qualidade de presidente duma associação moçambicana, o Centro Cultural Luso-Moçambicano que apoiou o livro.
Epicuro disse: " Ex nhilo nihil" ou seja, de nada, nada, precisamente o que um dia disse Lavoisier: Nada se perde, tudo se transforma na natureza.
De facto, criador absoluto é unicamente Deus, e toda a criatura transforma esse manancial do universo criado.
Esta obra de Delmar Maia Gonçalves, faz parte desse universo recriado, fruto da imaginação criadora.
A obra: Moçambique Novo: O Enigma, não passa pela afirmação de Tertuliano que disse "Credo, quia absurdo" ou seja, acredito porque é absurdo.
De facto, Delmar Maia Gonçalves corajosamente afirma "sponta sua", isto é, por iniciativa própria, Moçambique Novo, O Enigma, porque de facto a África é um enigma com os seus mitos e ritos ancestrais que o Ocidente não foi capaz de decifrar em 500 anos de domínio.
Por isso mesmo a escritora Noémia de Sousa continua a dizer:
"Se me quiseres conhecer,
Estuda com olhos de ver
Esse pedaço de pau-preto
Que um desconhecido irmão maconde
De mãos inspiradas
Talhou e trabalhou
Em terras distantes lá no Norte.
Ah, essa sou eu..."
Esta obra poética de Delmar Maia Gonçalves, é também esse pedaço de pau preto.
Ler estes poemas, é aceitar o convite para conhecer Moçambique Novo caracterizado de toda a carga de consequências do tempo colonial e dos trinta anos de independência que estamos a celebrar neste mês de Junho.
"A vol d'oiseau" (a voo de pássaro ou muito por alto), dir-se-ia Moçambique Novo é realmente novo, porque é independente: Pedra a Pedra vai construindo o novo dia, graças a milhões de braços concentrados numa só força, gritando: nenhum tirano nos irá escravizar.
Esta obra poética foi fruto de audácia do autor, no dizer de Virgílio em Eneida X, 284: "audaces fortuna juvat".
Com efeito, Delmar Maia Gonçalves colhe os frutos maduros da sua audácia de tal forma que a dois dias do glorioso dia do 30º aniversário da Independência de Moçambique lança a sua obra.
E, se considerarmos a situação de Delmar como jovem de 36 anos, no ensino, não ignoramos todas as dificuldades e circunstâncias da gestação desta publicação, ou seja, o quis (quem), quid (quê), ubi (onde), quibus auxilium (por que meios), cur (porque), comodo (como) e quando (quando)."
Também importa recuarmos no tempo até 5 de Julho de 1969, e tentarmos associar esta data com curiosas circunstâncias.
Em 1969 foi Prémio Nobel da Literatura o Poeta, Romancista e Dramaturgo Irlandês, Samuel Beckett (1906-1989), pai do teatro do absurdo, autor da peça "En Attendant Godot" (À Espera de Godot). Escritor com estilo de ironia amarga: foca contraste entre a esperança e a realidade.
Em 1969 a 7 de Julho, dá-se a catástrofe do Biafra com milhões de vítimas.
Em 1969 a 9 de Julho, Ernesto Che Guevara é preso e abatido.
Em 1969 a 3 de Dezembro, Dr. Christian Barnard efectua na Cidade do Cabo o 1º transplante cardíaco num humano.
Queiramos ou não 1969, internacionalmente é um marco que parece não estar despercebido por Delmar Maia Gonçalves, como ano natalício.
Finalmente, vou fazer especial referência aos poemas: mas queria lamentar o facto de só esta semana ser possível conhecer o extracto do livro.
Foram-me entregues 16 fotocópias com poemas do livro, logicamente não posso e nem devo fazer uma crítica do livro como desejava.
De qualquer forma, tive a capacidade de entre as 16 fotocópias seleccionar 3 poemas, que passo a comentar:
1- Em NÃO SOU MAIS EU... poema de 2003, o autor como que João Baptista a pregar no deserto identifica-se porta-voz involuntário de uma situação que se gerou e acusa: "injustiças cometidas no passado, perdas ancestrais e pequenas vitórias alcançadas na vida." O autor não identifica o responsável, nem se identifica como sendo o acusador, apenas, diz:"Não sou mais eu..."
A título comparativo reportemo-nos a obra de Fernando Pessoa, e encontramos em "Eu Fragmento" a mesma atitude de enigma:
"Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi, nem achei.
Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade
Não sei com que sinceridade falo.
Meu Deus, meu Deus, a quem assisto?
Quantos sou? Quem é eu?
O que é este intervalo
Entre mim e mim?"
2 - Em URGÊNCIA DAS PAZ PERPÉTUA, poema de 1988, o autor assume a filosofia espiritual de São Francisco de Assis, como mensageiro da harmonia, paz e concórdia.
3 - Em SONHO DE UM FUTURO QUE NÃO CHEGOU de 2001, o autor parafraseando o discurso de 28 de Agosto de 1963 proferido por Martin Luther King, Prémio Nobel da Paz: "I have a dream...", Delmar Maia Gonçalves, também revela-nos o seu universo irreal. Um sonho enigmático como Moçambique Novo:
"...
Tive um sonho
Em que os homens
Eram eleitos
Pelo seu valor e integridade.
Tive um sonho
Em que os desertos
Se tornaram férteis
Repletos de oásis.
Tive um sonho em que a realidade
De hoje se tornou
Um horror
E a utopia do futuro
Se tornou realidade.
Tive um sonho
Em que as fronteiras
Humanas
Se transformaram
Em infinitos rios
De arco-iris sem igual".
Mestre Lívio de Morais
(Artista Plástico e Professor de História de Arte)
Palácio Galveias/Lisboa, 23 de Junho de 2005.
Novo Encontro com Delmar
Ana Luena
sábado, 22 de agosto de 2009
Um Pensamento Solar para Moçambique
Pensar que um país se reduz às suas fronteiras naturais e geográficas, torna-se nos dias que correm, um pensamento sufocante, superficial e pouco verdadeiro. Nos gestos escritos que esculpem memórias, vivências deixadas no país de origem, os nomes das paisagens que não se esquecem, os rostos que habitam as nossas identidades, emerge a força que as palavras possuem e rasgam no papel, divisões e distâncias. Os "Cadernos Moçambicanos Manguana" são a prova de que Moçambique renasce e se elasticiza, para além de uma história que nos diz desta terra como só existindo no continente africano. Mas, esta estória é falsa, e parcial. Ao caminhar ao longo de cada poema, de cada texto de que género seja, compilados neste recanto de vozes humanas, escutam-se os acordes de maturação, reflexão, e encanto que pensam Moçambique.
Sheila Khan, uma moçambicana na diáspora
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
who is Gusmao? a poet? I know many but haven’t heard or read about this one. The one’s i most appreciate are Delmar Maia Gonçalves, a mozambican poet who seems to worship women as if they were Goddesses, even went to the point of dedicating a book to them. And the Other one is Fernando Pessoa, and his heteronyms, the man who ‘fealt’ with his head, he believed that poets had to refrain from using personal feelings or emotions as driving forces behind their work. it was the audience that had to feel something from the coherent texts they wrote.
“Don’t envy my temporal tyranny, you may be fond of gazing at me because of my morning maiden beauty but I assure you will ignore me when i turned to be the crone of the evening one day”
the most beautiful thing in the world, besides the birth of a child(although i might pass out while watching it, anyways it’s life happening, so it’s bound to be beautiful), is growing old with the person you love.
If i loved a woman and if we got married i’d always see her as the morning maiden beauty that we where when we first met. and besides growing old is part of life.
Blood Dancer
In http://www.factpile.com/taki-vs-diana-vs-kitana
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Sou um poeta brasileiro. Descobri o seu blog, o seu email e o seu interesse ao literatura ao navegar pelo Blogspot.
Aí vai o meu endereço: http://poemargens.blogspot.com.
Quando puder, faça uma visita.
Abraços,
José António Cavalcanti
(Poeta, Contista e Professor)
Brasil, 20 de Maio de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
I Gala Kanimambo
Homenagem a antigos jogadores moçambicanos
A Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Casa de Moçambique em Portugal organizaram na passada quinta-feira a primeira edição da Gala Kanimambo e Jantar Moçambicano, onde foram presenteados antigos jogadores moçambicanos que representaram a selecção portuguesa no passado. O evento teve lugar na Casa do Campo, em Figueiró e iniciou por volta das 19h45.
Jogadores da selecção que ficou em terceiro lugar no Mundial de 1966, tais como, Vicente Lucas, Hilário da Conceição, Eusébio (não esteve presente por ser embaixador do Benfica e ter viajado com a equipa para Itália, para o jogo contra o Nápoles, da Taça UEFA), Ricardo Chibanga, Mário Coluna e Abdool Vakil (presidente da Comunidade Islâmica e do Banco Efisa) ganharam o prémio prestígio.
A homenagem a título póstumo coube a Matateu (recebeu Vicente Lucas, o qual protagonizou o momento mais alto da cerimónia. "Se ele estivesse vivo, estaria a agradecer-vos por este prémio", ressaltou, pedindo um minuto de silêncio em memória do jogador) e a Artur Meque (recebeu Jossias Filipe).
Também foram distinguidas com a homenagem Kanimambo algumas individualidades ligadas à cultura, economia e política, que, de algum modo, cooperaram para o crescimento da fraternidade entre Portugal e Moçambique: o Mestre Chichorro (recebeu Delmar Gonçalves); o membro do executivo e da Associação Empresarial, Abdool Vakil; TAP (recebeu Zaida Brook), Augusto Matine; Daode Faquira (ausente por se encontrar no banco de suplentes do Vitória de Setúbal no jogo contra o Heerenveen, da Holanda. Recebeu Augusto Matine) e Delmar Gonçalves.
A animação pertenceu a Genito e a Kalonga and The Ganza Farmer.
In Jornal Verdadeiro Olhar
Paços de Ferreira, 18 de Setembro de 2008.
Palestra Cadernos Moçambicanos Nº 3

Caros amigos
Em surpresa recebo um telefonema do amigo Delmar Maia Gonçalves convidando-me para fazer a apresentação do nº 3 dos CADERNOS MOÇAMBICANOS.
Eu? Porquê?
É evidente ser apreciador de literatura, de uma boa leitura, para a melhor abertura de espírito. Mas “crítico literário” não sou. Gosto ou não gosto e às vezes nem uma coisa nem outra: simplesmente não entendi. E por aí me fico.
Mas parece que a razão foi outra: a net e os blogs. Aí comecei a entender embora não ache razão suficiente.
Assim sendo aqui me encontro, não propriamente para uma crítica literária ao conteúdo deste Nº 3º dos CADERNOS MOÇAMBICANOS, o que ficará para cada um de vós, expressando eu apenas a minha alegria por partir de moçambicanos mais esta iniciativa.
Edição cuidada, já em forma de livro. Conteúdo agradável, textos ou poemas em sequência bem doseada, gostando ou entendendo uns mais ou melhor que outros.
Por tudo isto não vou comentar nenhum dos autores, alguns já com obra editada, mas falar um pouco da net e de como através dela conseguimos não só criar novos amigos, espalhados pelo mundo, mas levar até eles o que de melhor, e às vezes de pior, pode unir os homens ou mulheres deste mundo cada vez mais global.
Sabemos assim quase instantaneamente o que se passa em remotos lugares a milhares de quilómetros. Mas também conseguimos levar a todos , além de notícias, conhecimento. Conhecimento sem censura. Por isso usada para o melhor ou para o pior.
Reconhecendo no entanto que este “para o melhor ou pior” é relativo.
Estamos aqui naturais de lugares situados a milhares de quilómetros uns dos outros, com Bilhetes de Identidade que às vezes nada dizem quanto ao sentimento de nacionalidade que cada um apresenta. Mas há algo que nos une e aqui nos traz: a língua que falamos e em que comunicamos. E é assim que através dela nos entendemos, que trocamos ideias, que achamos confirmações às nossas dúvidas e partilhamos do que sabemos ou conhecemos. Não interessa agora a evolução histórica para que hoje existam vários países, dispersos por continentes, a falar português. Interessa apenas salientar que é por esse razão que se não diluíram os velhos laços de amizade nascidos nos territórios que já foram Portugal.
Mas não fora a internet, a sua manutenção seria difícil. E a aproximação e intensificação desse relacionamento também se não daria.
Não é a internet mais que um meio. Não um fim em si mesma.
E como fui eu parar à internet?
Em Fevereiro de 1995 estava arrumando umas quinquilharias e encontro duas caixas com muitas centenas de slides que trouxera de Moçambique. E pensei que quando me finasse aquele espólio seria metido a um canto ou até deitado ao lixo pois que meus filhos, não sendo propriamente imagens de família, por eles se não interessariam.
Já tinha ouvido falar da net mas nunca acedera a tal ferramenta. Com a ajuda de alguns amigos em Maio de 1995 tinha criado a minha primeira página na net a que dei o título de MACUA DA ILHA DE MOÇAMBIQUE, acrescentando alguns textos e depois algumas músicas, procurando que Moçambique fosse encontrado por esse mundo global.
Aprendendo e evoluindo consegui ter a página sobre Moçambique mais vista da net, recebendo contactos das mais variadas partes.
Foi em 2003 premiada por estar entre as 5% das páginas(sites) mais vistas no mundo, bem como pelo seu conteúdo, segundo um júri internacional. Mas o meu objectivo sempre foi colocar Moçambique no mundo.
Mas a página era de certa forma estática, tendo em 2004 criado o blog MOÇAMBIQUE PARA TODOS, como anexo ao MACUA DE MOÇAMBIQUE. Neste momento está com uma média de 1000 visitas diárias e já mais de 200 subscritores da sua newsletter diária. São notícias, comentários, vídeos e tudo o que mais consiga, essencialmente relacionado com Moçambique, procurando não esquecer o contexto em que as situações acontecem ou evoluem ou são influenciadas e aberta a todos os matizes políticos.
Felizmente que não sou único e nem fui o primeiro.
Hoje é fácil a qualquer pessoa ter um blog ou uma página. E é assim que uns fornecem os conteúdos e outros os digerem.
Mas é essencialmente por já hoje existirem alguns milhares de computadores ligados à net em Moçambique que a distância que deles nos separa a geografia se reduziu a alguns segundos.
São os grupos através do Yahoo ou MSN que se formam por localidades onde moraram ou escolas que frequentaram. São os grupos de interesse. Todos com residentes nos quatro cantos do mundo, como o Moçambique Online, com cerca de um milhar de inscritos, comunicando-se quase instantaneamente, quase diariamente.
E é através deste meio que os nossos povos (todos os que falam português), mais que os políticos, têm conseguido manter laços que de outra forma se perderiam ou seriam de difícil manutenção.
Criaram os políticos a CPLP e andam sempre inchados com a lusofonia em encontros, pouco mais que turísticos, de país para país, que fale português.
Mas importante é compreender que a construção da lusofonia não está nas mãos de um projecto integrador, nem de uma cartilha, nem de uma vanguarda política, nem dos seus profetas culturais.
As comunidades lusófonas formam uma rede entrosada de afectos, de objectivos políticos e de interesses e que se alimenta das liberdades das nações, das pessoas e das instituições.
Quem disse que a língua portuguesa foi "a melhor coisa que os portugueses nos deixaram" foi Amílcar Cabral, bem como outros dirigentes dos movimentos de independência, aliás ensinados em escolas cristãs baptistas anglófonas. Quem está contra a lusofonia não percebeu o mundo político da globalização; quem está a favor, está sempre a tempo de fazer qualquer coisa.
Ainda em 11 de Setembro passado Eduardo dos Santos afirmou:
“Devemos ter a coragem de assumir que a Língua Portuguesa, adoptada desde a nossa Independência como a oficial do país e que é hoje materna de mais de um terço dos cidadãos angolanos, se afirma tendencialmente como uma língua de dimensão nacional em Angola.”
E acrescentou:
“Isso não significa de maneira nenhuma, bem pelo contrário, que se deva alhear da preservação e constante valorização das diferentes Línguas Africanas de Angola, até aqui designadas de “línguas nacionais”, talvez indevidamente, pois quase nunca ultrapassam o âmbito regional e muitas das vezes se estendem para além das nossas fronteiras.”
Mas somos nós, assim o creio, que estamos a criar a verdadeira lusofonia. Até nem sei se será esta a melhor palavra para definir tudo o que nos une. E ninguém pode negar que é a partir de Lisboa que tal está a acontecer. Razões? As do coração, em essência. Políticos são políticos, mas povo somos nós.
E mais uma prova disso são estes CADERNOS CULTURAIS que agora lhes são apresentados.
Resta-me pois terminar, com os meus votos de sucesso ao CADERNOS MOÇAMBICANOS e aos seus promotores, pedindo desculpa pelo tempo que lhes roubei.
A todos os meu obrigado pela paciência que tiveram em me ouvir.
Fernando Gil
(Director do Website Macua)
Lisboa, 30 de Setembro de 2006
Ilustração:
"Cadernos Moçambicanos"
de Isabel Carreira
(Artista Plástica, Professora de Literatura Portuguesa e Inglesa e Mestre em Relações Interculturais)
CADERNOS MOÇAMBICANOS Nº 3
«No início pensámos em coligir uma antologia de poetas moçambicanos, mas depois decidimos torná-la mais abrangente, editando autores de língua lusófona», acrescentou ainda o poeta que, nascido em Quelimane, habita há largos anos em Parede.
«Terceira etapa de uma caminhada que pretende ter continuidade» a antologia de poesia e prosa, que reúne trabalhos de autores moçambicanos, portugueses, angolanos e brasileiros, tem chancela da Sebenta.
A cerimónia decorrida no passado sábado, no auditório da Junta de Freguesia de São Domingos de Rana, incluiu a leitura de poemas e excertos de textos pelos seus autores, enquanto o director do site moçambicano Macua, Fernando Gil, apresentou os escritores, citando algumas notas biográficas.
Para além de Delmar Gonçalves, estiveram presentes, Jorge Viegas, Renato Graça, Carlos Gil, Jorge Chichorro Rodrigues, Manuel Matsinhe, Ana Loureiro, Nora Vilar, Luís Ferreira, Edmundo Verdades, Claudia Gomes, João Marafuga, Lúcia Lupenny Rodrigues, Maria José Peres, Paula Ferraz, Fernanda Maias, Maria Olga Santos e Penélope Rodrigues, assim como Filipa Gonçalves, a artista plástica responsável pela feitura da capa.
Registou-se ainda um momento musical, protagonizado por Dama Bete, tendo um "Porto de Honra", incentivado o convívio.
In JORNAL DA COSTA DO SOL – 05.10.2006
domingo, 2 de agosto de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Excerto do relatório da Assembleia Geral da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Parede (actual Fernando Lopes Graça)
João Nunes
(Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Parede)
Um activista por excelência
Delmar na escrita denuncia, por um lado, um Moçambique novo e por outro uma vontade gritante de dar sentido à mestiçagem. Faz parte de uma série de associações contra o racismo, de ajuda aos talentos moçambicanos, à imigração, entre outros.
A religião ocupa um lugar primordial e a procura pelo ecumenismo é um dos seus objectivos. Um escritor e um professor preocupado com as causas alheias e que transporta consigo o seu maior enigma, Moçambique.
Delmar Maia Gonçalves nasceu em Quelimane a 5 de Julho de 1969 e chegou a Portugal no final de
A adaptação foi complicada «tinha uma vida boa com muitos amigos e até jogava futebol, quando cheguei aos 18 anos, tive de começar tudo de novo». Acabou o secundário e chegou a pensar em ser padre, chegou mesmo a fazer teologia, mas depois acabou por desistir, porém a religião continua a fazer parte da sua vida. Hoje em dia é escritor e professor do Primeiro Ciclo do Ensino Básico no Bairro Padre Cruz, para além de fazer parte de numerosas associações, todas elas com propósitos diferentes.
«Quando estava em Moçambique fazia parte da juventude moçambicana e quando cheguei tentei integrar-me e fi-lo através das associações» a primeira, da qual fez parte, foi a Casa Humana que é uma associação social e urbana onde o presidente achou que o escritor podia contribuir na área da imigração, através da sua experiência pessoal. Depois envolveu-se com a Resistência Timorense, quando «muitas pessoas já achavam que a causa estava perdida», criou boas relações inclusive com Roque Rodrigues, actual Secretário de Estado da Defesa de Timor e conseguiu mobilizar apoios, livros, faxes, telefones, etc.
No que respeita ao SOS Racismo, esta teve como ponto de partida a sua própria experiência pessoal. «Os professores repetiam que eu era moçambicano, pediam que eu partilhasse a minha experiência e elogiavam o meu trabalho e os meus colegas reagiam mal. Uma das vezes disseram-me para eu ir para a minha terra e isso marcou-me». A partir daí começou à procura de pessoas a quem já lhes tinha acontecido o mesmo e encontrou imensas, houve quem tivesse ouvido o mesmo tipo de provocação e o pior é que era um português.
Faz parte também de um Centro Cultural Luso-Moçambicano a convite de Lívio Morais, para divulgar a cultura moçambicana e vice-versa, porque «a percepção que antes se tinha dos moçambicanos que viviam cá é que eram antipatriotas, até que o Lívio foi lá mostrar o trabalho dos imigrantes».
No que respeita às questões religiosas, houve uma Federação Internacional Inter-Religiosa que o convidou para ser Embaixador da Paz onde «trabalhei para o ecumenismo porque isso é importante para a integração».
“Na minha Pátria/ não há pretos nem brancos/ há moçambicanos”
A literatura e a sede de escrever sobre as coisas que conhecia e sentia, foram desde pequeno, uma realidade. Em Moçambique já fazia as suas tentativas a nível literário e lia os seus escritores de eleição, tais como: José Craveirinha, Noémia de Sousa (esta que antes de falecer insistiu com Delmar que publicasse um livro), Eça de Queirós, Cesário Verde, Bocage, entre outros. Em 1982 escrevia poesia e uma das suas alegrias era «quando via o meu nome nas revistas de Moçambique, isso motivava-me muito». Na altura que frequentou as escolas portuguesas resolve mostrar o seu trabalho às professoras e estas incentivavam-no, ao ponto de uma delas o convencer a enviar as poesias para o Concurso Nacional de Literatura Ferreira de Castro, que ganhou. Depois desse, muitos outros prémios somaram-se, o Cancioneiro Infanto-Juvenil para a língua portuguesa no Piaget, da Rádio Havana recebeu uma Menção Especial, foi convidado a fazer parte do Júri das Nações Unidas (FNUAP) para um Concurso de Cartazes, e venceu um outro da Comunidade Moçambicana em Portugal.
Escreveu muitos livros em conjunto, destacam-se: Poeisis, Viola Delta e Cadernos Moçambicanos.
A mestiçagem é um tema ao qual Delmar dá especial enfoque, pois acredita «que é o futuro da humanidade, principalmente com a globalização» e é um assunto que os escritores mais velhos não podiam falar, era tabu «na altura podias ser mestiço, mas tinhas que te assumir como negro».
Artigo de Rita Pablo
In Revista “Africa Today”
Fevereiro 2006
Poeta zambeziano Delmar Gonçalves depõe

Pretendemos valorizar todas as formas de moçambicanidade e não apenas a política, que insiste em excluir. Nós somos inclusivos, não olhamos para a cor da pele ou para o bilhete de identidade, olhamos apenas e só para o Amor comum que sentimos pelo nosso berço: Moçambique – DELMAR GONÇALVES
Para conhecermos Delmar, um jovem poeta natural de Moçambique que se vem firmando em Portugal através das suas poesias editadas pela editora Minerva, e pelas suas presenças sempre festejadas nos lançamentos dos livros daquela editora, temos que conhecer Quelimane, a capital dos históricos prazos, situada na baixa Zambézia, fulcro de mestiçagem do cruzamento de africanos com reinóis (portugueses) e goeses. Por isso, vamos recolher o testemunho deste jovem natural da vetusta Chuado onde também nasceu quem entrevista o poeta.
Ecos do Oriente (EO) - Como vias a Quelimane do teu tempo?
EO - Recorda-me um episódio acontecido contigo em Quelimane?
DG - Um episódio curioso que me marcou deu-se uma vez em que eu saia do cinema “Estúdio”, onde assisti ao filme “Pratiggya” (“O Juramento”) do Dharmendra; fui confrontado por polícias que pediam documentos. Era uma rusga. Quem não tivesse documentos era levado para Lichinga [situado no extremo noroeste do território] num camião. Como eu não tinha documentos, fui levado para o Conselho Executivo de Quelimane, para sermos novamente identificados. Um comandante da Frelimo que conhecia o meu pai reconheceu-me e mandou-me para casa.
Um outro episódio foi numa situação em que assistia a um jogo de futebol com outros mupfanas (crianças) emcima do muro do campo do Sporting, quando chegou um milícia popular e me deu um pontapé dizendo: “Misto sem bandeira, vai para a tua terra!”.
EO – E como é que reagiste a essas situações?
DG – Reagi com lágrimas, fiquei perplexo e revoltado porque ele surpreendeu-me. Sai de lá e fui directo para casa. Nesse momento pensei “Moçambique tem o futuro adiado!”
EO - Quando começaste a escrever e aonde?
DG - Comecei a escrever em 1982, com simples cartas de leitores na revista “Tempo”, que foram elogiadas e posteriormente comecei a escrever poemas e a enviá-los. Já em Portugal, em 1985, comecei a enviar textos emprosa e poesia, para o DN Jovem, que publicou e aconselhou a continuar a escrever. Em 1998, Noémia de Sousa, aconselhou-me a publicar.
EO - Qual foi a reacção do que recebeu o teu trabalho e qual foi a tua?
DG - O incentivo do DN Jovem foi importante, no entanto o meu maior apoio foi da minha professora de 8º e 9ºanos de língua portuguesa e francês, a Sra. Gabriela. Ela incentivou-me a participar no primeiro concurso de jogos florais da escola secundária da Parede, que venci, e no prémio português de literatura juvenil Ferreira de Castro, em poesia, que ganhei já em 1987.
Apesar das tropelias que lhe aconteceram, e a muitos mais jovens seus contemporâneos, devido ao racismo dealguns (e que não poucos), Delmar abraçou a causa, separando as águas, da moçambicanidade, da terra onde nasceu, cresceu e se fundam as suas raízes. Aqui vem formando núcleos que reflictam as actividades que decorreram e decorrem naquela terra o Índico.
EO - O que é o Movimento Jovem Moçambicano de Intervenção Cultural em Portugal?
DG - Este movimento moçambicano não é uma associação, nem uma ONGD, nem um clube, mas um movimento de vontades comuns de jovens que pretendem lutar e contribuir para uma relação saudável e profícua entre os povos falantes da língua de Camões, embora respeitando as diferenças e variantes específicas de cada espaço geográfico e cultural e nesse âmbito já realizou exposições de pintura, escultura, desenho e fotografia, recitais de poesia, palestras pela paz (em Timor, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Israel, Palestina e Tibete). Já ofereceu livros para venda às associações e ONGD’s; já ofereceu vídeos e DVD’s às associações, inclusivamente, já organizou uma conferência internacional interreligiosa pela Paz. Tem feito também numerosas intervenções em escolas e temos vários eventos previstos.
Pretendemos valorizar todas as formas de moçambicanidade e não apenas a política, que insiste em excluir. Nós somos inclusivos, não olhamos para a cor da pele ou para o bilhete de identidade, olhamos apenas e só para o Amor comum que sentimos pelo nosso berço – Moçambique. 
DELMAR MAIA GONÇALVES nasceu em Quelimane em 5 de Julho de 1969. Foi membro activo da Organização da Juventude Moçambicana (O.J.M.) e Quelimane e dirigente estudantil.
Já em Portugal foi igualmente dirigente estudantil quer no Ensino Secundário, quer no Ensino Universitário.
Fez parte do Movimento Encontro de Jovens da comunidade Shalom – Sociedade de Vida Apostólica.
Como professor orientou e dirigiu acantonamentos de jovens estudantes do ensino Secundário de Educação Moral e Religiosa Católica na Ericeira.
Fundou recentemente o Movimento Jovem Moçambicano Intervenção Cultural em Portugal.
É um dos coordenadores dos “Cadernos Moçambicanos Manguana”.
Delmar tem uma filha que se chama Luna Delmar Gonçalves, já com 9 anos de idade, e vive hoje na linha de Cascais.
Entrevista de MÁRIO VIEGAS
domingo, 5 de julho de 2009
Hoje, esta mensagem
Que mando para você
Tem que ser especial,
Afinal hoje é seu aniversário.
Parabéns que Deus continue
Protegendo essa pessoa especial
Que é você
,Que os sentimentos mais puros
Se concretizem em gestos de bondade.
A paz que do seu lado a gente sente;
Uma alegria imensa já nos tráz.
Feliz aniversário.
Beijinho,
Maria da Conceição Novo
quarta-feira, 1 de julho de 2009

Homenagem a Delmar Maia Gonçalves (nascido em Quelimane, a 5 de julho de 1969). Um escritor/poeta de Moçambique.
Amigo e colega de trabalho.
...
De escrita na pele,
e sorriso no rosto.
Uma viagem sem papel,
roteiro de palavras que respeito.
...
poeta moçambicano,
colega e amigo.
num abraço sem tamanho,
um voo livre com sossego.
...
Nos meus desenhos te revejo,
espelho de alma límpida.
hoje concedo-te um desejo,
o rascunho de um sucesso antecipado.
...
terça-feira, 16 de junho de 2009
Delmar, tem um dom muito especial, que é dizer e escrever o que pensa, e isso foi Deus que lhe deu inteligência para tal.
Deus está presente em todos os momentos da sua vida.Gosto da sua poesia; a minha é diferente, você é um poeta a 100% .Tudo de bom e felicidades.Amei "Perguntarei ao Cristo",é a mais pura verdade,tuas palavras,olha Delmar não sei como as definir.Pois se amamos Cristo deveríamos amar todos sem importar a raça ou a cor.Eu do fundo do meu coração,não discrimino ninguém, são todos seres humanos, que dependendo da raça ou da cor tem defeitos como qualquer um de nós.
Estou a aprender contigo, faz de conta que sou tua aluna mais velha.
Parabéns gosto de tudo o que escreves,continua sendo como és,um ser maravilhoso.
Maria da Conceição Novo
Viana do Castelo, 31 de Maio de 2009.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Moçambiquizando
Numa tarde de Sábado, Março entrado, caía o sol que iria acordar no horizonte, indo bailar do outro lado do Mundo, o Palácio das Galveias abriu portas para receber um grupo de amigos que iam ver poesia.
Delmar Maia Gonçlaves era o anfitrião mas também o homenageado. Quis partilhar, com o seu público, a sua poesia, as suas palavras-sentimentos, as suas verdades-alegres e verdades-dolorosas.
A criação lietrária é sempre passível de ser analisada, escamoteada, esquartejada pelas teorias literárias, mas acima de tudo, deve ser sentida, porque é criação e criação é poesia.
Olhar o autor é rever o seu percurso de pessoa, mas o autor apaga-se para deixar nascer vários sujeitos poéticos, que brincam com palavras, que reflectem pensamentos-ideais.
A racionalidade nem sempre é compatível com os sentimentos, contudo, a regra faz as excepções,
as construções enigmáticas da verdade ganham contornos de realidades concretas. Os percursos são diversos, os caminhos são rectos ou tortuosos, são sombrios e ténues nas suas fronteiras. O sonho enraiza-se nas profundezas so ser, os versos soltam-se do seu dono, ganham um espaço novo e novas tonalidades.
Pelas páginas do Moçambiquizando elabora-se um topografia de países, cidades e outros lugares, de nomes, de crenças, de meninos e donzelas, de heróis e de desconhecidos, de razões e desconexões, de improvisos e de sábias doutrinas não reconhecidas.
Como diz Alexandre Honrado, no prefácio do livro, sobre a poesia de Delmar "há uma tão estonteante e sábia crítica, uma agressividade que nunca comete agressão, uma exaltação que nunca é raiva, uma apreciação que é mais discernimento, uma pátria a bulir por dentro que não contém uma só fronteira..."
Das palavras finais do autor pode reter-se que a sua escrita revela a sua "enorme inquitação sobre os desafios do futuro", que a sua vivência é o "exercício pessoal da [sua] moçambicanidade" e que "quando as causas são nobres não devemos duvidar nunca".
Os acordes de timbíla ressoam pela sala, batem corações, revivem Moçambique num abraço moçambicanizando numa encruzilhada de palmas e vozes.
Nota: não se fazem comentários literários com emoções, não se fazem em primeira pessoa, não se contam os pormenores das apresentações, não se deve tocar nos sentimentos do público. Leia-se, por isso, esse comentário acreditando que vale a pena ler a poesia do Delmar para descobrir novas significações, novas entradas em Moçambique, sem ser sempre pelo Índico.
Paula Ferraz
Lisboa, 30 de Maio de 2006
in web www.africamente.com
quarta-feira, 15 de abril de 2009
D'el mar e d'el miel, tens a imensidão do teu sentir e a doçura do teu nobre ser.
Catarina Almeida Pio
(Poeta e Professora do Ensino Básico)
Lisboa, 10 de Abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Acabo de receber o teu livro e não consegui fazer mais nada enquanto não o li...
É lindo! A capa, as imagens, a tua fotografia, mas sobretudo os textos (foi bom reencontrar-me com alguns que já conhecia).
Obrigado pelo livro; obrigado pelas palavras; obrigado por seres meu amigo; obrigado por existires.
João Couvaneiro
(Professor de História e Poeta)
terça-feira, 7 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Lisboa, 2 de Outubro de 2008.





